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sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Um Borgonha que Justifica a Fama... Ruim

Infelizmente, muita gente (homens, principalmente) tem preconceito com os vinhos da Borgonha por relacioná-los a Pinot Noir leve e sem graça.  Puro desconhecimento, claro.  Conhecendo melhor a região e os produtores, descobrimos vinhos potentes e marcantes, meus preferidos.

A Borgonha é assim: existem os vinhos top, os Grand Cru; abaixo deles, os Premier Cru, aí vem os Village que recebem o nome de sua vila de origem, sem a especificação do vinhedo.  Então vem a denominação sub-regional, com regras mais frouxas para vinhos produzidos em alguma região determinada (rosé e espumante inclusive).  E, depois disso, meu amigo, só existe a AOC Bourgogne, a mais genérica de todas. 

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Boa Compra: Domaine du Meix-Foulot Mercurey 2009

Uma gratíssima surpresa.  É difícil achar bons Borgonhas a preço acessível.  Esse foi comprado na Europa por 18 euros!!  #ficaadicaparaasférias

De cara, estava um tanto tímido e aromas discretos foram se abrindo com framboesas até mostrar leves cogumelos.  Tive a impressão de encontrar a sensualidade que tanto dizem da Pinot Noir. Taninos surpreendentes, bom frescor e um final longo.  Incrivelmente potente.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Beaune Les Blanches Fleurs 2007

Nome bonito e boa procedência não bastam quando se fala de Borgonha. Eita lugar difícil de entender!  Não basta ser Borgonha para ser um grande vinho, não basta vir de um vinhedo que você acha que é bom e não são baratos para ficar arriscando!

Beaune é uma das denominações da Borgonha e também uma cidade interessantíssima.  Diz Clive Coats que seus vinhos estão entre os vinhos de Pommard e os de Volnay.  Traduzindo, entre a musculatura dos primeiros e a elegância dos últimos.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Harmonização à Francesa: Champagne, Borgonha, Sauternes e Bordeaux

Uma noite especial sempre começa com champanhe, não?  Essa não poderia ser diferente.  Começou assim, lá em Épernay, desceu para a Borgonha, virou à esquerda para Sauternes e Bordeaux.  Terminou mais descontraído, com um pulo no Piemonte.

Tudo em busca da harmonização perfeita.

domingo, 17 de junho de 2012

Risoto Trufado de Lagosta para um Chassagne-Montrachet

O pretexto foi o Dia dos Namorados.  O motivo era abrir o Michel Picard Chassagne-Montrachet Premier Cru Les Chenevottes 2006. 



quarta-feira, 2 de maio de 2012

Quando um vinho bom não está tão bom...

Voltei à Expand com uma amiga há alguns dias atrás e quis beber o mesmo vinho que não me deixaram repetir da última vez: Domaine Ballorin Fixin Les Chenevières 2007.

Grandes expectativas, maiores frustrações.  Não é que o vinho estava ruim??

quarta-feira, 28 de março de 2012

Borgonha e Super Toscano que cabem no bolso

Ontem fomos nos despedir de um casal de amigos que está se mudando para Nova York.  Eles irão morar em um país tão ou mais protecionista que o Brasil (apenas bem mais esperto), mas vão beber vinhos bons, muito bons, excelentes até, por um trocado de dólares.  Quanto a nós, que aqui ficamos, vamos continuar a incessante busca da melhor relação custo/benefício.

No bistrô da Expand, mais um desafio típico em restaurantes: encontrar um bom vinho por menos de 3 dígitos.  E não é que conseguimos? Com direito a Borgonha e Super Toscano!

domingo, 11 de dezembro de 2011

Meursault Charmes 2000

Hoje decidimos abrir uma das inúmeras garrafas que trouxemos da viagem e a escolhida foi um Meursault Charmes da safra de 2000.   Só mesmo esses brancos da Borgonha para resistirem tanto tempo. Após 11 anos, o vinho estava excelente e com capacidade de envelhecer por outros 11.

Meursault 2000

O vinho foi comprado em nossa visita à Patriarche Père et Fils, uma sugestão do Prof. Juan Verdésio, instrutor da ABS Brasília, a qual recomendo a todos que passarem por Beaune, na Borgonha.  É a maior cave subterrânea, com 5 km de galerias do século XII e, durante a visita, com vídeos interativos que te guiam pelo caminho, é permitido degustar todos os vinhos produzidos pela Maison.  Se não fosse um grupo de jovens bêbados britânicos bem na nossa frente, teríamos degustado mais (sempre que chegávamos ao barril, a garrafa estava vazia...).

Maison Patriarche Père et Fils

A Maison Patriarche existe desde 1780, é bastante conhecida, mas não está relacionada entre os melhores produtores segundo os especialistas Clive Coates e Hugh Johnson.  A visita saiu por 10 euros e o melhor é que serve como uma introdução à Borgonha já que podemos conhecer um pouco das características de vinhos de praticamente cada um dos crus borgonheses.

Maison Patriarche


Nas caves da Patriarche, podemos encontrar garrafas desde as mais prestigiadas como Montrachet, Meursault, Pommard e Nuits Saint Georges até as mais simples como Beaune, e de safras tão antigas quanto 1929.
Safras antigas na Maison Patriarche

E garrafas que só serão abertas em 2094, após 100 anos de envelhecimento!

Safra 1994 que será aberta até 2094

Meursault é um dos meus brancos preferidos (junto com quase todos os brancos da Borgonha) e Charmes é um dos mais bem conceituados Premier Crus, junto com Les Perrières (o melhor) e Les Genevrières.  Meursault conta com mais de 100 produtores e cerca de 30 premier crus, então só mesmo bebendo para saber quais te agradam!

Os brancos de Meursault são considerados como sendo os mais encorpados e untuosos brancos da Borgonha, com aromas característicos de pão tostado, mel, caramelo e manteiga.  Com o tempo se tornam ainda mais encorpados e agradáveis, com aromas que evoluem para marmelo e damasco seco.  Pêssegos maduros e avelãs também são característicos.  A acidez é essencial para equilibrar a untuosidade.

Os Premiers Crus cobrem 133,88 hectares e produzem cerca de 4.100 hectolitros/ano de vinho branco e 75 hectolitros de tintos.  Na prática, apenas os climats perto de Volnay têm plantações de Pinot Noir. O Premier Cru Les Santenots é um dos que produzem também tintos, mas se assim forem, são denominados Volnay.  Ah, a Borgonha...

A denominação está ao sul de Beaune, na área conhecida como Côte des Blancs e Charmes está ainda mais ao sul da denominação.  Alguns dizem que o nome deriva das árvores "charmes" (faia, em português) que cresciam na região, outros dizem que vem da palavra que descreveria o vinhedo fácil de trabalhar, com boa exposição solar, inclinações suaves e vista agradável do vale.  Outros ainda dizem se tratar simplesmente do charme de seus vinhos.

Charmes tem 31,12 hectares, maior que os outros dois melhores premier crus mencionados, e produz vinhos interessantes, intensos, harmoniosos e elegantes, com caráter floral e notas de pêssego, e, nas palavras de Clive Coates, "delicately nutty, gently honeyed".

Meursault Charmes 2000

Sobre o vinho:

Uva: Chardonnay
Safra: 2000*
AOC: Meursault Charmes Premier Cru
Solo: calcário e argila
Guarda: 8 a 25 anos
O vinho é amarelo dourado, com nariz concentrado e elegante, ressaltando aromas de avelãs, pão, frutas secas e mel. Em boca é tão refinado quanto, untuoso, sedoso e equilibrado.  Final longo e persistente de avelãs e brioche.
*A safra de 2000 foi muito boa e com melhor acidez que a de 1999, destacando as notas de frutas e flores.

Harmonizamos com um risoto de trufas, que, a princípio não seria a harmonização mais indicada para um Meursaul, mas, na minha humilde opinião, deu certo!

Foto não legal de um risotto de trufas

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Lições da Borgonha: Time is Wine. And Wine is Life, por André Favero

Dia 31.10.2011, 10hs. Café da manhã em Beaune, coração da Borgonha. Vinho local para o desjejum. Nem arrisco as tentações do cardápio...trufas, escargot e até a tal androuillete (não recomendo). O mundo do vinho, ainda mais no velho mundo, tem seu charme, e tudo parece dar certo nesse negócio. Mas claro que não é sempre assim.

Depois de passar 2 dias em Chablis, capital do Chardonnay na Borgonha, e 3 dias em Beaune, capital do Pinot Noir, fica claro que a expressão “joie de vivre” - assim como o “dolce far niente” dos italianos – é praticada como uma religião por todos os habitantes da região. Mas não somente por mero hedonismo ou charme. Faz parte da cultura de uma vida sofrida também. Viver do vinho não é vida fácil.

Não por acaso, a cultura de produzir vinho geralmente envolve diversas gerações da mesma família, que demoram décadas para conseguir se estabelecer nesse negócio que exige dedicação extrema e aprimoramento a cada garrafa produzida, para chegar a um produto que o consumidor entenda como aceitável – e com um preço razoável.

E pra aumentar o drama – e consequentemente o charme - da história da Borgonha, a região foi alvo de pequenos “contratempos” ao longo da história. Desde os huguenotes da reforma protestante (calvinistas na maioria), os conflitos da Revolução Francesa, a invasão dos Prussianos, a Segunda Guerra Mundial, culminando com ataques impiedosos da Phyloxera (praga que ataca os vinhedos), a produção de vinhos da região sempre se reergueu e se reestruturou. E olha que os primeiros registros de exportação do vinho da região para a Inglaterra e Bélgica remontam a 1450.

De volta a 2011, no sábado dia 29.10.2011, às 18hs, a Madame Marchive nos recebia na sua vinícola em Chablis para mostrar os vinhos brancos que produz e vende pro mundo inteiro (90% da produção é exportada). Mesmo que tentemos visitar os segredos de outras vinícolas ao longo da viagem, acredito que esta foi a grande oportunidade de ouvir da fonte primária toda a paixão e labuta que envolve o mundo do vinho na França. Noutras visitas, meros turistas outra vez, e recebidos pelos funcionários dos passeios padrão.

Conhecer de perto esse espírito e os segredos de alcova dos produtores nem sempre é possível. Os produtores franceses guardam a sete chaves os enigmas das suas caves, e geralmente não dão acesso a turistas. A visita completa fica reservada para importadores e grupos de investidores. Mas na tarde nublada do dia 29 fomos contemplados pela sorte. E com a dedicação contagiante da Madame Marchive (veja o post anterior), proprietária do Domaine Les Malandes. Suas mãos grossas e calejadas diziam o quanto a própria dona se dedica pessoalmente, e fisicamente, ao negócio.

A cada explicação da posição do sol e da localização dos première crus (lado esquerdo e direito da margem do rio Yonne) e dos grand crus (somente lado direito da margem), largos goles da perfeição em forma de Chardonnay. O melhor do mundo, como o próprio mundo considera. E ela segue com os detalhes sobre as duas outras classificações do vinho local, inferiores ao grand cru e ao première cru: o chablis, plantado a noroeste, o petit-chablis, plantado a sudeste. Isso determina a inclinação do terreno, a quantidade de minerais do solo, o ângulo do sol, o grão de uva que será resultante desses fatores todos e finalmente, o vinho que será elaborado a partir dessa combinação. Ah, sim, se o clima colaborar, não chover muito, etc. A visita culminou com a abertura, inusitada, inesperada, dos porões da cave (sim, isso existe!), que levaram ao subsolo, onde está todo o processo. A partir daqui, deixo por conta da imaginação - ou curiosidade - de cada um. Mas vi detalhes que não havia visto nas inúmeras outras visitas em outros lugares/países.

Desses passeios enófilos todos fica cada vez mais forte a mesma história: o vigneron pensa e vive o vinho, ao longo de toda a vida. Desde a influência do pai ou do avô na infância, durante os estudos e dedicação na vida adulta, e na busca por novos e apaixonados gestores que o substituirão na velhice. E nem sempre são os filhos, para a tristeza dos pais e avôs. Acordam torcendo para não chover em demasia; dormem pensando na próxima vindima, pois uma safra ruim significa descontinuidade de todo um trabalho de décadas. Como em qualquer outro lugar vitivinífero, mas no Velho Mundo parece diferente, não sei dizer a razão. Não escondem que o vinho é a medida de tempo que determina o ontem, o hoje, o amanhã da sua laboriosa vida. Vida que depende muito do vinho. E a nossa vida, a cada aroma, sabor e história descoberta, depende da vida e do tempo deles.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Gevrey-Chambertin 2006

Fim de tarde frio e chuvoso, resolvemos comprar um vinho tinto (para sair um pouco da invasão dos brancos) em uma das inúmeras lojas de Beaune.  O André ainda não tinha provado nenhum tinto que o impressionasse, então minha missão era séria.  Na primeira loja, ao lado da boulangerie onde tínhamos acabado de comprar uma baguette para acompanhar, eis que encontro algo precioso: um Romanée St. Vivant 2005, do Domaine de la Romanée-Conti.  Será que nem esse agradaria?  Pela bagatela de 1800 euros, resolvi não pagar para ver!

Na loja ao lado, me deparei com o escolhido: um Gevrey-Chambertin Premier Cru 2006, Chateau de Marsannay, pela bagatela de 33 euros.  Entre os tintos da Borgonha, este está entre meus preferidos (Napoleão também compartilha da minha opinião!).


Aromas de frutas vermelhas maduras, alcaçuz e notas de madeira.  Final longo de especiarias.  Taninos equilibrados, encorpado.  Apesar de estar pronto para beber, o vinho ainda pode melhorar com mais um tempo de guarda. Ah, o André gostou bastante!

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Château de Chassagne-Montrachet

O Château é propriedade de Michel Picard, um dos grandes (em termos de tamanho mesmo) produtores da Borgonha, com vinhedos próprios em diversas vilas e também como comprador de terceiros.  A visita vale pelas caves: os brancos envelhecem em uma cave do século XI e os tintos em uma mais moderna, do século XIV!

A vinícola ainda oferece um almoço harmonizado para degustação de 6 de seus vinhos, do qual participamos felizes:

Como aperitivo, foi servido um Mercurey 1er Cru "Clos Paradis" 2008: frutado, fresco, leve, com notas amanteigadas, simples e surpreendente (16 euros)

Para acompanhar os embutidos regionais de entrada:
Chassagne-Montrachet "En Pimont" 2007 - aromas de flores e mel, notas minerais, bom corpo (25 euros)
Chassagne-Montrachet 1er Cru "Les Chenevottes" 2006 - aromas de compota de goiaba, mel, notas minerais, untuoso.  Final longo e persistente. (35 euros)

Para o prato principal, "jambon au Madére et riz Thai":
Nuits-Saint-Georges 2006 - aromas de caça, couro, encorpado. Harmonizou ainda melhor que o próximo. (25 euros)
Volnay 1er Cru "Les Santenots" 2006 - aromas de frutas vermelhas e especiarias, um tanto mais feminino que o anterior. (30 euros)

Para acompanhar a tábua de queijos:
Chassagne-Montrachet 1er Cru "Les Macherelles" 2006 - aromas de frutas vermelhas, chocolate, taninos macios, redondo e bom corpo.

Prato com os queijos: époisses de Bourgogne, comté e citeaux
Para finalizar, antes do café, foi servido sorbet de framboesa e calda de cassis.  Saímos do castelo satisfeitos, encantados e com uma garrafa do Chassagne-Montrachet 1er Cru.

Sorbet de sobremesa