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terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Harmonização Inusitada: Bouza Tempranillo/Tannat e Esfiha de Carne

O corte de Tempranillo e Tannat da Bodega Bouza ainda não havia experimentado e comprei a garrafa em uma promoção da Decanter por R$ 65,00.  Sobre a Bouza eu já falei aqui e seus vinhos valem a corrida à loja, especialmente quando estão em promoção, já que não estão entre os mais baratos...

Bom, ontem abrimos a garrafa e só encontramos umas esfihas de carne para acompanhar.  Pois o acompanhamento não poderia ter sido melhor!

terça-feira, 12 de junho de 2012

Mercosul + Chile no Feriado

No feriado que, para mim, finalmente foi prolongado, o desafio de escolher vinhos que agradem a todos os gostos e bolsos.  É, encontro de família!

quinta-feira, 22 de março de 2012

Restaurante El Negro e seus vinhos

(Post atualizado aqui)
Noite de novidade: El Negro, pertinho de casa.  Acreditem ou não, estava lotado em plena quarta-feira!  Mas minha primeira dificuldade foi com a carta de vinhos.  Achei que por se tratar de um restaurante de parrilla, encontraria inúmeras opções de rótulos argentinos e uruguaios, malbecs e tannats, mas não foi bem assim...  Há um Tannat uruguaio, unzinho apenas.  Dois Malbecs argentinos. Há mais opções se você quiser harmonizar seu bife ancho com um Carmenére chileno...

Mas se o negócio é comer, sobre os pratos, não posso negar, estava tudo muito gostoso. 

domingo, 2 de outubro de 2011

Bodega Bouza

Finalmente consegui visitar uma vinícola.  A escolhida foi a Bodega Bouza. Me disseram que era a mais próxima do centro de Montevidéu, então daria tempo.  O trajeto levou cerca de 40 minutos e tive um atendimento exclusivo.  Me senti uma importadora sendo paparicada por potenciais fornecedores!  Na verdade, esclareço, foi porque só havia eu para a visita...

Bom, é uma vinícola boutique, familiar e recente.  Seu primeiro vinhedo é de 2001, seu primeiro vinho de 2003. Tem apenas 23 hectares e uma produção de 90 a 100 mil garrafas/ano.  Quase todos os vinhos passam por barrica (francesas e americanas) entre 4 e 18 meses, inclusive os brancos.  As barricas são utilizadas apenas 3 vezes e então vendidas para quem tiver interesse (taí a dica para quem quiser uma barrica decorando a sala!).


Em um piso abaixo da cava, os proprietários mantêm uma vinoteca.  40 garrafas de cada vinho produzido são sempre reservadas para formarem o arquivo e permitir avaliações futuras sobre a evolução dos vinhos. A visita inclui ainda uma passadinha pelo museu de automóveis clássicos, um hobby do proprietário.

Vinoteca
Coleção de carros antigos

Após a visita, fui para a degustação no restaurante da vinícola. Charmoso e aconchegante, vale a visita - aberto apenas para almoço.   


Degustei 5 vinhos acompanhados de frios e pães.  Achei o máximo, pena que tinha acabado de comer e estava lá sozinha.  Com o sommelier ao meu lado me observando, não me senti à vontade para ficar lá a tarde toda degustando os vinhos e os petiscos com calma...  Ah, devo dizer que essa mordomia de se ter comidinhas durante a degustação se deve ao fato de que me custou US$ 25. 


Sou bastante suscetível a visitas a produtores, geralmente me encantam e me convencem que fazem o melhor vinho do mundo.  Ao final da visita, já na degustação, com o pouco de racionalidade que ainda me resta, consigo comprovar ou não minhas impressões.  A meu favor e para salvar minha promissora “carreira” como enófila, devo lembrar que sim já aconteceu de visitar vinícolas que não me convenceram em nada... ufa!

Em Bouza, fui mais uma vez abduzida.  A preocupação com a qualidade de seus vinhos demonstrada durante a visita me impressionou e os vinhos degustados depois não fizeram por menos:

1.      Vinho branco – Linha Clássica
Trata-se de um corte de Chardonnay e Albariño (50/50).  O único da vinícola que não passa por carvalho.  Bastante frutado, com aroma destacado de papaya (ainda não havia sentido esse aroma assim tão forte). Boa acidez e boa persistência.
2.   Tempranillo Rosé 2010 – Linha Clássica
Não impressionou pelos aromas sutis de leveduras, mas surpreendeu em boca.  Equilibrado, untuoso e persistente.
3.       Merlot Tannat 2010 (60/40) – Linha Clássica
12,5% de álcool.  Bem mais merlot que tannat, tanto em seus aromas herbáceos quanto em boca, menos encorpado.
4.       Tannat 2009 – Linha Clássica
Surpreendeu.  Cor púrpura intensa, aromas marcantes, envolventes, taninos macios, redondo, uma delícia de tomar.
5.       Tannat A6 2009 – Parcela Única
Aromas intensos de frutas vermelhas, chocolate, tostado. Em boca, mais uma excelente surpresa.  Taninos muito macios, bastante equilibrado, final persistente.  18 meses em barricas novas de carvalho francês e americano.

A linha Parcela Única trata-se de um vinho elaborado com uvas provenientes de um único lote do vinhedo.  Todos os lotes recebem uma letra e um número e os melhores são destinados à elaboração de vinhos exclusivos. Há também o A7, o A8 e o B6 para Tannat, para Tempranillo, o B15 e o B9 para Merlot.

Outra linha top da vinícola é o Monte Vide Eu, um corte selecionado de Tannat, Merlot e Tempranillo.

Resultado:  saí com duas garrafas, um Tannat Clássico 2009 (R$ 32,00, melhor impossível!) e uma de A6 que, ao chegar em casa e abrir a caixa, descobri ter sido trocado por um A7 Siete Barricas.  Imagino e espero que seja do mesmo nível daquele que provei na degustação.  Parece ser mais elaborado.  A ver!

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Don Pascual Tannat/Merlot 2010

Ontem mencionei um “corte de Tannat e Merlot Don Pascual”.  Pois bem, vamos falar desse vinho.

A linha Don Pascual, a mais básica da Família Deicas, foi lançada em 1996 em homenagem a Don Pascual Harriague, quem introduziu a Tannat no Uruguai.  A linha se tornou líder no Mercado uruguaio em apenas 5 anos e ainda mantém o posto (no supermercado só dá ele!), além de ser o vinho uruguaio mais vendido no mundo. 


Sobre o vinho:
Vinho: Don Pascual Tannat/Merlot
Produtor: Familia Deicas
Região: Juanicó
Safra: 2010
Álcool: 12%
Método de produção: uvas selecionadas manualmente, maceradas separadamente e fermentadas em tanques de aço inox.

Notas do produtor:
Cor púrpura, brilhante, com aromas de frutas vermelhas, framboesas, amoras e cerejas.  No palato, elegante e macio, com taninos aveludados.
Sugestão de harmonização: carnes vermelhas, embutidos e queijos.

Meus comentários:
Aromas de frutas vermelhas, nuances de madeira. Acidez ressaltada, taninos suaves, corpo médio, final pouco persistente. Não sei dizer se estava jovem, se estaria melhor se eu esperasse mais um ano.  Ainda não consigo avaliar essas características com propriedade.  Sei que é bem mais ou menos, mas pelos R$ 15,00 que custa no supermercado aqui e os R$ 23,00 no Brasil, está de bom tamanho. Um vinho para o dia a dia.




quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Vinho de Supermercado

Tenho uma estranha mania de passear por supermercados nas cidades que visito.  Especialmente se é em um país com tradição vinícola.  Adoro descobrir os hábitos alimentares do lugar e sempre saio com algumas garrafas de vinho.

Assim, desenvolvi outra mania estranha: carregar plásticos bolha em todas as minhas viagens. Até que eu crie coragem e decida comprar minha mala winefit, acho que ainda vou viajar com muitos pedaços de plástico na mala.  Até hoje todas as garrafas sobreviveram a escalas, conexões, esteiras e "delicadeza" dos funcionários de aeroportos.

Hoje não foi diferente, fui ao supermercado Disco aqui em Montevidéu e, entre garrafas de vinhos argentinos, chilenos e, claro, uruguaios, descobri a coisa mais divertida: um sommelier virtual! É um programa de busca dos vinhos disponíveis para venda.  Me lembrou alguns dos meus aplicativos do IPhone (futuramente merecerão um post).  Olhem isso:

Tudo touch, claro. Vc escolhe por prato, tipo de uva, vinícola, marca ou especiais.  As opções então aparecem em ordem alfabética até chegar ao vinho disponível, com preço.

Clicando sobre o vinho, aparece sua descrição, a qual você pode imprimir e levar para casa.  Será bom saber quais são os aromas que o vinho deveria ter caso você não consiga descobrir sozinho!


Fiquei lá por muitos minutos navegando pela adega do supermercado até perceber que estava atrapalhando o trânsito dos outros consumidores...

Eis minhas compras:
  • Algumas caixas de alfajores uruguaios
  • Don Pascual Roble Chardonnay Viognier 2010 - cerca de R$ 20,00 (não descobri os preços no Brasil)
  • Pisano RPF Tannat 2007 - cerca de R$ 32,00 (parece que no Brasil está por volta de R$ 50,00)
  • Preludio 2005 (Juanicó) - cerca de R$ 84,00 (R$ 140,00 na wine.com o 2004, yes!)

P.S: Coincidência ou não, enquanto escrevo, está sendo transmitido o jogo Godoy Cruz x Universitários do Peru.  Para quem não sabe, Godoy Cruz é o time da cidade de Mendoza.  O vinho me persegue!! ;)

Uruguai, a terra da Tannat

Estou em Montevidéu a trabalho e, claro, bastou pousar em Carrasco que já pensei em um post sobre os vinhos uruguaios!

Com minha tacinha de um corte de Tannat e Merlot Don Pascual (Juanicó), percebo que a história da produção de vinho no Uruguai é bem parecida com a história brasileira.  Iniciada na primeira metade do século 16, teve seu desenvolvimento atrasado por diversos conflitos internos e, apenas por volta de 1870, com chegada dos espanhóis, a vinicultura começou a se tornar mais importante.

Foram os bascos e catalães que trouxeram a Tannat e, como aconteceu com a Malbec na Argentina, a Tannat encontrou um ambiente favorável no Uruguai e se tornou a uva símbolo do país. Aqui, a Tannat produz vinhos mais equilibrados e macios, que podem ser bebidos com apenas um ou dois anos de idade, ao contrário do que acontece no sudoeste francês, berço da cepa (lá conhecida como Madiran).

A Tannat, como o próprio nome sugere, é bastante tânica e geralmente é cortada com Merlot no Uruguai para maior equilíbrio.  No Uruguai, como na Serra Gaúcha, há grandes diferenças entre safras, mas as mais recentes têm, quase todas, conseguido alta qualidade (viva o aquecimento global??).

A produção no Uruguai é de 112 milhões de litros/ano dividida por 9 mil hectares.  A maioria dos produtores (cerca de 300) possuem pequenas propriedades, com menos de 5 hectares.  O consumo interno é de 24,7 litros anuais por pessoa, restando apenas cerca de 3 milhões de litros para exportação. Grande parte vai para o Brasil.  Apenas para comparação, o consumo no Brasil ainda é de 1,8 litros por pessoa (dados de 2004, que parecem não ter se alterado muito), o que me convence, cada vez mais, que realmente estou bebendo a parcela de outras pessoas!

Com relação a qualidade, ainda não há muitas normas para a produção do vinho uruguaio. Não há denominações regionais e a indicação de Reserva e Gran Reserva segue os padrões do produtor.  Como no Brasil, o século XX ficou marcado pelo predomínio das cepas americanas e, apenas nos anos 90, iniciou-se um processo para melhoria de qualidade dos vinhos uruguaios. Os vinhedos foram substituídos por vitis viníferas e técnicas modernas de vinificação foram introduzidas.

Para domar os potentes taninos da Tannat, utiliza-se a técnica da microoxigenação:  pequenas quantidades de oxigênio são introduzidas no vinho durante sua fermentação para torná-lo menos agressivo ao paladar, preservando sua potência e aromas.

Além das castas tradicionais, destacam-se também Viognier, Trebbiano, Torrontés e algum Pinot Noir.

Os uruguaios têm se esforçado para conseguirem o sucesso dos argentinos e chilenos, apesar da produção reduzida.  Alguns produtores têm se dedicado a incrementar a qualidade, visando as exportações, e têm se destacado.  Vale mencionar os tradicionais Marichal, Pizzorno, De Lucca, Castillo Viejo, Pisano (com vinhos elegantes) e Juanicó (com seu top Preludio e uma joint venture com Bernard Magrez do Chateau Pape Clément de Bordeaux para a produção do Gran Casa Magrez), além do novato Bouza e outros.

Se o trabalho permitir e conseguir visitar uma vinícola, conto pra vocês!