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segunda-feira, 3 de junho de 2013

Degustação Vertical do Lote 43

Fui a mais uma degustação vertical do Lote 43.  Dessa vez, para o lançamento da safra 2011.  Em 2011, o mesmo evento (promovido pela ABS-Brasília e Miolo) lançou a safra 2008 e me lembro bem que, naquela ocasião, o 1999 estava já um pouco decadente e o 2005 superou todas as outras.

Esse ano tive algumas impressões diferentes.  A degustação, para surto de alguns, começou pelo vinho mais antigo. O motivo alegado foi a didática, para se mostrar a evolução...

Para não dizer que não falei das flores, caso você não saiba, o Lote 43 se refere ao lote de 24 hectares que foi comprado por Giuseppe Miolo, patriarca da família, na Linha Leopoldina.  No lote, 19 hectares estão plantados com vinhedos.  O Lote 43 foi criado à imagem e semelhança dos Crus bordaleses para ser um vinho ícone e singular (único vinhedo).  Um corte de Merlot e Cabernet, agora mais Merlot que Cabernet (regras da Denominação de Origem do Vale dos Vinhedos). Praticamente um Pétrus!

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Restaurante Ares do Brasil e Vinícola Santa Augusta: Só para Mulheres

Às vezes demora, mas aos poucos o mercado vai percebendo que as mulheres são um importante público alvo para a promoção do consumo de vinhos.  De olho nisso, o Restaurante Ares do Brasil e a Vinícola Santa Augusta estão promovendo toda terça-feira, de amanhã (19 de fevereiro) até 26 de março, a "Noite VSA - Você e Suas Amigas", com degustação gratuita de espumantes da Vinícola.



terça-feira, 6 de novembro de 2012

Harmonizando o Sushi: Amadeu Brut Rosé

Continuando a busca pela melhor harmonização para a culinária japonesa (agumas tentativas aqui e aqui), foi a vez de um ótimo espumante nacional.

Amadeu é a linha mais acessível da Vinícola Geisse, produtor de Pinto Bandeira que já dispensa apresentações.  Elaborado com 100% Pinot Noir pelo método tradicional (champenoise), tem excelente perlage e traz aromas de frutas vermelhas, muito morango, leveza e ótimo frescor.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Dicas para a Noite do Oscar

A Moët&Chandon é a maison oficial da premiação do Oscar.  Daí você já tem a dica do que servir na noite do evento.  Se você, como eu, pretende fazer algo especial hoje e não pode bancar garrafas de Moët, voto pelos espumantes nacionais.  Que tal uma degustação de espumantes?

Espumantes de diferentes marcas, diferentes cores e diferentes graus de doçura. Minha sugestão: Perini Moscatel, Amadeu Brut Rosé, Valduga 130 e Cave Geisse Nature.

A web está cheia de dicas para você oferecer uma festinha na noite do Oscar, desde dicas de menus inspirados pelos filmes indicados até sugestões de atividades.  Dê uma olhada no Epicurious com todas as dicas que você precisa (comida, bebida, som, ambiente), no Basílico que tem dicas de pratos e o site oficial do Oscar que traz receitas, drinks patrocinados pela Moët e, para a diversão de seus convidados, modelos de cédulas para votação e bingo para download.

Eu decidi seguir o estilo "Moneyball" mesmo e servir junk food.  Combina com o filme, com a premiação americana, com domingo à noite e traz o clima do cinema para dentro de casa: pipoca gourmet (com diferentes tipos de azeites), M&Ms, cookies, amendoim japonês, pea wasabi e focaccia para um toque internacional.  O glamour vai ficar só para os espumantes e para as estatuetas de chocolate que premiarão os vencedores do Bingo e aquele que acertar o maior número de premiados.

Gostou da idéia?  Deixe o Fantástico de lado hoje e torça por Carlinhos Brown e Sérgio Mendes a partir das 21hs na TNT!

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

A Maria, do Valduga

É mesmo verdade que o vinho faz a ocasião e é besteira ficar esperando pelo momento certo para abrir um vinho especial.  Vai que esse momento demora a chegar e seu vinho vira vinagre...

Assim, inspirada por Miles que tomou seu Cheval Blanc 1961 com um hamburguer no filme Sideways, sexta-feira passada, ao invés de esperar acontecer, fiz a hora.  Troquei o cinema pela TV e fui ao encontro de Maria Valduga.

Ainda não tinha provado esse lançamento da Casa Valduga e é fácil supor se tratar de uma bebida especial: é o espumante top da vinícola, evoluindo por quatro anos na garrafa, tem um preço diferenciado (leia-se caro, R$ 130,00 na Super Adega) e uma garrafa linda e luxuosa com direito a um cristalzinho no rótulo.  O rótulo da primeiríssima garrafa foi confeccionado com 42 gramas de ouro 18k e um cristal Swarovski, parece mesmo ter sido feito para uma grande celebração, não?

Maria Valduga quase no ponto (viu o cristalzinho?)

O espumante é elaborado pelo método champenoise (segunda fermentação na garrafa), 80% Chardonnay e 20% Pinot Noir, é safrado (2006) e envelhece por 48 meses nas caves frias e escuras da vinícola.  O produtor se refere a um "bouquet elegante e intenso com notas de frutas em calda, remetendo principalmente a pera e maçã. Os aromas de brioche amanteigados e pão delicadamente tostados expressam a complexidade adquirida durante a lenta maturação deste espumante".

A garrafa luxuosa onde ocorre a maturação por 48 meses

Para acompanhar, pedimos comida japonesa que harmonizou muito bem com esse espumante amarelo palha, brilhante, com perlage fininho e muito persistente.  Cremoso, complexo, aromas intensos e penetrantes.  O espumante mostra a que veio já na sua abertura, os aromas se exalam e chamam a atenção, não deixando nada a dever à exuberância da garrafa. Nariz de frutas (talvez damasco, mas não encontrei a tal da pera e da maçã), brioche e pão tostado definitivamente, amêndoas.  Em boca também faz bonito, amanteigado, amendoado, delicioso, fresco na medida e intenso, bem intenso.  Para não esquecer tão cedo.

E assim, em uma sexta-feira qualquer, decidi comemorar o 20º dia do ano e fui feliz para sempre...

Perlage fino e persistente

domingo, 4 de dezembro de 2011

Espumante Húngaro para o Final de Ano

Já que se aproximam as festas de final de ano, vamos falar de espumantes!  E aqui uma dica valiosa de um espumante excelente por apenas R$ 35,00 (preço de dois meses atrás).  


Törley


Fonte: Empório Húngaro

Trata-se do principal produtor de espumantes da Hungria e de um dos maiores da Europa, segundo averiguei. Com produção entre 12 e 14 milhões de garrafas/ano, possui 50% do mercado húngaro. Em 2004, o Wall Street Journal classificou seu Grand Cuvee como o segundo melhor espumante do mundo!

A história é interessante. Por volta de 1870, József Törley conheceu Theophilus, neto de Louis de Roederer enquanto estudava na Áustria e foi convidado para ir à Reims aprender alguma coisinha sobre a produção de champanhe. Acabou se tornando um grande conhecedor do assunto e fundou sua própria maison na cidade.

Em uma viagem a Budafok, na Hungria, Törley percebeu que o local apresentava condições excelentes para a produção de espumantes, com solo similar ao da região de Champagne.  Então, em 1882, transferiu sua vinícola para a nova cidade e começou a replicar o que tinha aprendido, inclusive em seus vinhedos.

Após sua morte, como não tinha herdeiros, a vinícola passou para o comando de seus irmãos e sobrinhos e continuou a crescer.  Em 1992, o grupo Henkell & Co. adquiriu a empresa e, desde 2005, passou a se chamar Törley Sektkellerei Kft.

A Hungria é mais reconhecida mundialmente pelo seu Tokaji no norte e seus tintos no sul, mas os vinhos húngaros tradicionais são os brancos. Apimentados, acompanham bem refeições condimentadas e untuosas, como um outro branco mais leve não conseguiria.

Voltando ao que interessa, o espumante é mesmo delicioso, com notas de amêndoas tostadas e muito redondo em boca.  Vale cada real! Dá para comprar uma caixa e curtir a virada em altíssimo estilo! E ainda tirar uma onda com um espumante exótico...

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Espumante, uma paixão nacional

Sábado foi dia de Rock in Rio e decidimos fazer uma "área vip premium" em casa (valeu, Multishow!) com a presença de alguns amigos ilustres.  Como toda área vip que se preze, havia diversas opções de bebida. Eu fiquei com o espumante.  Que me perdoem os vinhos, mas, com eles, eu não duraria até o Snow Patrol, acho que nem teria resistido ao Capital Inicial.  Além disso, o que mais conseguiria harmonizar com a diversidade de iguarias e acepipes servidos (de queijos variados a Doritos, passando por pães, patês, frutas secas, castanhas e embutidos)?

A opção da noite foi o Salton, bom custo/benefício para as mais de 6 horas de show.  Particularmente, sempre rendo minhas homenagens ao Valduga 130 (esperando, torcendo e rezando por uma oportunidade exclusiva de degustar o mais novo lançamento da Casa, o Maria Valduga) e os excelentes Cave Geisse (em Brasília, vendidos na Portofino)

Nas palavras de Hugh Johnson, o Brasil tem feito "some decent sparkles".

Degustação na Cave Geisse em Pinto Bandeira
Sr. Juarez Valduga sabreando durante a última vindimia de 2011
Espumantes em fermentação na Casa Valduga
Minha paixão por espumantes foi despertada pelo livro "Champanhe", de Don & Petie Kladstrup, mesmos autores do conhecido "Vinho & Guerra".  O livro é uma história fascinante de superações, resistência e coragem, além de ser recheado de heroínas (Madame Clicquot e Madame Pommery como alguns exemplos) que conseguiram transformar suas maisons no que são hoje e elevar constantemente o status da bebida, a mais sofisticada e rainha das celebrações.

O champanhe, contudo, não precisa se restringir a seu caráter festivo.  Concordo com Lily Bolinger para quem sempre há motivos para se abrir uma garrafa (veja sua frase célebre em meu post aqui).  Afinal, o champanhe ou o espumante é a única bebida que vai bem desde o café da manhã até a madrugada!
Pommery, em Reims
Destaco ainda a frase proferida por Dom Pérignon ao provar champanhe pela primeira vez: "Estou bebendo estrelas!".  Segundo o livro, nada disso é verdade, mas, para mim, faz sentido.  A bebida tem o brilho do sol e todas aquelas bolhas pequenas, incansáveis e duradouras me lembram mesmo uma constelação.

Do livro, vale a pena contar a história do nome Moët.  Claude Moët, que decidiu se dedicar exclusivamente à produção de champanhe em uma época em que de 20% a 90% das garrafas estouravam anualmente, herdou sua determinação de seu ancestral holandês chamado LeClerc.  Le Clerc lutou ao lado de Joana d'Arc em 1429 e ajudou a manter os ingleses afastados para que Carlos VII pudesse ser coroado na catedral de Reims.  À frente do exército, LeClerc gritava: "Het moet zoo zijn" ("Tem que ser assim") enquanto a Virgem de Orléans conduzia Carlos até a igreja.  LeClerc foi ricamente recompensado pelo rei, que o deu um novo nome: Moët, em homenagem à sua determinação.

Claude, em pouco tempo, se tornou um dos poucos comerciantes de vinho reconhecidos pela corte real. Em 1750, apesar das garrafas quebradas, ele produzia 50 mil garrafas de champanhe por ano em uma região que nunca havia produzido mais de 300 mil. Por fim, sua bebida caiu nas graças de ninguém menos que Madame Pompadour que, achando que o "champanhe é o único vinho que deixa uma mulher bela depois de o beber", garantiu que a bebida fosse servida em todas as ocasiões importantes na corte de Luís XV.
Cave da Moët & Chandon em Epernay