Laurent Tribut Chablis Premier Cru Beauroy 2010.
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quarta-feira, 22 de maio de 2013
Sushi com Chablis, nada bom
A missão continua: encontrar um vinho para a comida japonesa. Dessa vez, fomos à França:
Laurent Tribut Chablis Premier Cru Beauroy 2010.
O vinho é cativante, nariz aromático mineral que tanto amo, com abacaxi,
pêssego, mel de laranjeira, flores brancas, ostras. Ótimo frescor,
volume e intensidade, mas decepciona com um amargor além da conta que
deixou o vinho sério. Sério demais para a descontração de um combinado.
Laurent Tribut Chablis Premier Cru Beauroy 2010.
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Uma Noite no Vale do Loire
A ABS Brasília promoveu na última segunda-feira uma degustação de vinhos do Vale do Loire.
Caso não saiba, o Vale do Loire é uma região vinícola da França (por acaso, também patrimônio cultural da humanidade) e se destaca por seus vinhos brancos que representam 45% da produção.
Entre as cepas brancas, aparecem: Chenin, Sauvignon Blanc, Chardonnay, Melon de Bourgogne (a uva da região de Muscadet), Folle Blanche e Pinot Gris. E, só para dizer que não falei delas, as tintas também estão por lá, principalmente Cabernet Franc e Gamay, mas não sei se valem a pena não.
Caso não saiba, o Vale do Loire é uma região vinícola da França (por acaso, também patrimônio cultural da humanidade) e se destaca por seus vinhos brancos que representam 45% da produção.
Entre as cepas brancas, aparecem: Chenin, Sauvignon Blanc, Chardonnay, Melon de Bourgogne (a uva da região de Muscadet), Folle Blanche e Pinot Gris. E, só para dizer que não falei delas, as tintas também estão por lá, principalmente Cabernet Franc e Gamay, mas não sei se valem a pena não.
domingo, 14 de outubro de 2012
De Repente, Sauternes e Foie Gras
Véspera de feriado, não estou fazendo nada, ele também, um foie gras na geladeira a ponto de perder a validade, um Château Guiraud 2007 olhando para mim toda vez que abro a adega e pronto, uma noite sem expectativas é rapidamente transformada em uma grande ocasião!
Sim, a harmonização de um Sauternes com foie gras é mesmo tudo aquilo que dizem. O Château Guiraud é mais do que conseguem dizer.
Sim, a harmonização de um Sauternes com foie gras é mesmo tudo aquilo que dizem. O Château Guiraud é mais do que conseguem dizer.
terça-feira, 28 de agosto de 2012
Como eram Gostosos os Meus Franceses...
Uma noite de vinhos franceses. Bem diferentes um do outro e ambos sensacionais.
Château Marsac Séguineau 2008
Château Marsac Séguineau 2008
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
Château Lamblin Cuvée Hommage 2003, com Beef Wellington e Risoto de Cogumelos
O almoço do Dia dos Pais tinha que ser especial, então repetimos a receita do Beef Welllington do Natal e ainda fizemos um Risoto de Cogumelos para acompanhar, tudo delicioso, claro.
O cardápio merecia um vinho à altura: Château Lamblin Cuvée Hommage 2003, vinho biológico, cheio de premiações.
| Beef Wellington e Risoto de Cogumelos |
terça-feira, 17 de julho de 2012
Segundas-Feiras Harmonizadas Grand Cru
Porque não sair da rotina e tentar fazer da segunda-feira um dia mais agradável? Fiz isso ontem na Grand Cru (e outras segundas, como já falei aqui). Os pratos são sempre muito gostosos e é uma chance de conhecer novos rótulos ou degustar os já conhecidos.
Ontem foi assim:
ENTRADA
Magret com cogumelos shitake e shimeji
Côtes-du-Rhône Saint Esprit Delas 2009
Ontem foi assim:
ENTRADA
Magret com cogumelos shitake e shimeji
Côtes-du-Rhône Saint Esprit Delas 2009
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Minha primeira vez: Grands-Échezeaux 1977
Não é que eu jamais tivesse encostado em um ou que não soubesse da utilidade de um decanter, mas a forma como aconteceu dessa vez foi mais profundo e mais especial, com direito a velas e nervosismo. Confesso que estava tensa. Medo de acontecer algo com a rolha, medo de o vinho estar uma merda, medo de não conseguir decantar direito, sei lá, medo é assim, não tem muita explicação.
Tratava-se de um Grands Echezeaux 1977. Não se deixe impressionar pelo vinho, essa safra na Borgonha não foi das melhores. O clima transformou as boas condições do ano anterior. A chuva caiu constantemente, quase diariamente durante julho. A primeira quinzena de agosto contou com uma volta ao clima favorável, mas houve algumas tempestades violentas no final do mês. Um setembro ensolarado ajudou a amadurecer as uvas e a colheita começou tarde, apenas na primeira semana de outubro.
Então, como não tive a sorte de nascer em 78 por uma questão de dias, já estava me convencendo a ter que seguir os conselho do baterista do Kings of Leon e desistir de presentes de aniversário safrados, a não ser, no meu caso, se for um vinho do Porto!!
Após a difícil tarefa de decantar e separar as borras, deixei a bebida aerar por mais de 4 horas. Nesse período, incorporei Maya do filme Sideways e fiquei ali pensando em como foi a safra, imaginando as pessoas que participaram da elaboração e contabilizando tudo que já aconteceu durante o tempo em que ficou ali na garrafa envelhecendo. Ah, as histórias...
No decanter, os aromas já estavam agradando, mas ainda estava tensa sobre o primeiro gole. Poxa, é normal essa tensão quando você compra um vinho com essa idade, de um produtor que não é grande coisa, de uma safra que foi pior ainda. Mas, what the hell, será que em 1977 já existia essa coisa de grandes e bons produtores? Talvez naquela época o Marché aux Vins era o melhor que se poderia ter...
Para acompanhar, uma refeição à altura: Coq au Vin (que não era Coq, mas um frango mesmo). Um dos dois teria que salvar a noite!
Coragem, enfim. Surpresa, surpresa, o vinho ainda estava bom! Pode até ser que tivesse passado seu auge (não sei como é um Borgonha no seu auge), mas ainda estava agradável, muito agradável!
Vermelho âmbar com reflexos amarronzados e imagino que o fato de não ser uma safra boa se refletiu em um vinho ainda mais leve, ainda mais delicado, menos rico em aromas e menos denso em sabor, mas ainda refinado, com aromas típicos da Pinot Noir, encantador e muito fresco. Morangos e framboesas, alcaçuz, um pouco de chocolate e caramelo. Foi se abrindo mais e mais com o tempo e atingiu um frescor surpreendente. 34 anos. Impressionante.
Valeu cada minuto e cada gole. E mesmo se estivesse muito ruim, acho que não me importaria, tinha uma raridade de 1977 nas mãos. E sei lá quando terei uma oportunidade dessa de novo na vida!
Tratava-se de um Grands Echezeaux 1977. Não se deixe impressionar pelo vinho, essa safra na Borgonha não foi das melhores. O clima transformou as boas condições do ano anterior. A chuva caiu constantemente, quase diariamente durante julho. A primeira quinzena de agosto contou com uma volta ao clima favorável, mas houve algumas tempestades violentas no final do mês. Um setembro ensolarado ajudou a amadurecer as uvas e a colheita começou tarde, apenas na primeira semana de outubro.
Então, como não tive a sorte de nascer em 78 por uma questão de dias, já estava me convencendo a ter que seguir os conselho do baterista do Kings of Leon e desistir de presentes de aniversário safrados, a não ser, no meu caso, se for um vinho do Porto!!
Após a difícil tarefa de decantar e separar as borras, deixei a bebida aerar por mais de 4 horas. Nesse período, incorporei Maya do filme Sideways e fiquei ali pensando em como foi a safra, imaginando as pessoas que participaram da elaboração e contabilizando tudo que já aconteceu durante o tempo em que ficou ali na garrafa envelhecendo. Ah, as histórias...
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| Separando as borras |
No decanter, os aromas já estavam agradando, mas ainda estava tensa sobre o primeiro gole. Poxa, é normal essa tensão quando você compra um vinho com essa idade, de um produtor que não é grande coisa, de uma safra que foi pior ainda. Mas, what the hell, será que em 1977 já existia essa coisa de grandes e bons produtores? Talvez naquela época o Marché aux Vins era o melhor que se poderia ter...
Para acompanhar, uma refeição à altura: Coq au Vin (que não era Coq, mas um frango mesmo). Um dos dois teria que salvar a noite!
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| "Frango" au Vin |
Vermelho âmbar com reflexos amarronzados e imagino que o fato de não ser uma safra boa se refletiu em um vinho ainda mais leve, ainda mais delicado, menos rico em aromas e menos denso em sabor, mas ainda refinado, com aromas típicos da Pinot Noir, encantador e muito fresco. Morangos e framboesas, alcaçuz, um pouco de chocolate e caramelo. Foi se abrindo mais e mais com o tempo e atingiu um frescor surpreendente. 34 anos. Impressionante.
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| Grands-Echezeaux 1977 |
Valeu cada minuto e cada gole. E mesmo se estivesse muito ruim, acho que não me importaria, tinha uma raridade de 1977 nas mãos. E sei lá quando terei uma oportunidade dessa de novo na vida!
domingo, 8 de janeiro de 2012
Duelo de harmonização: Pêra Manca branco x Chablis Grand Cru Vaudésir
Na sexta-feira abri um Pêra Manca branco 2009 que ganhei de D. Mariluce, minha mãe, como lembrança de sua viagem a Portugal (um parênteses para contar que lá ela pagou 14 euros). Sozinha em casa, harmonizou bem com minha indignação assistindo Lua Nova da saga Crepúsculo (é sério que esses filmes são recordes de bilheteria? é sério que a garota prefere o vampiro ao lobisomem??).
Enfim, o vinho é excelente: amarelo dourado, sabe cor de dia de sol na praia? Aromas de amêndoas, flores, mel, manteiga, notas minerais. Em boca, confirmou quase tudo: untuoso, amendoado, redondo, enche a boca e desce macio. Final longo, persistente e amanteigado. Maravilhoso!
Esse vinho me lembrou muito alguns bons Borgonhas brancos, apesar de ser um corte de Antão Vaz e Arinto. Será que estou falando uma heresia? Oh, well...
No sábado, decidi praticar meus dotes culinários e preparei um risotto de grana padano (0% lactose, a quem interessar possa) com balsâmico de mel e gengibre. O Pêra Manca já havia perdido um pouco de seus aromas, mas continuava potente. Decidimos abrir também o Domaine des Malandes Chablis Grand Cru Vaudésir, também 2009.
O Chablis é amarelo palha com aromas minerais, frutado, toques de madeira e de fundo de mar. Fresco, leve, exótico, delicioso.
E, como era de se esperar, arrasou com meu português na harmonização. Faltou acidez ao Pêra Manca para enfrentar o gengibre e o mel e também para amenizar a gordura do queijo. Refeição à parte, são vinhos excelentes e bem diferentes entre si. Não sei dizer qual me agradou mais, mas, para as noites de verão, ficaria com o Chablis.
Devo confessar que nenhum harmonizou bem com minha carreira no Guitar Hero... Fica aqui minha mensagem sobre os prejuízos causados pela terceira taça!
Enfim, o vinho é excelente: amarelo dourado, sabe cor de dia de sol na praia? Aromas de amêndoas, flores, mel, manteiga, notas minerais. Em boca, confirmou quase tudo: untuoso, amendoado, redondo, enche a boca e desce macio. Final longo, persistente e amanteigado. Maravilhoso!
| Pêra Manca Branco 2009 |
Esse vinho me lembrou muito alguns bons Borgonhas brancos, apesar de ser um corte de Antão Vaz e Arinto. Será que estou falando uma heresia? Oh, well...
No sábado, decidi praticar meus dotes culinários e preparei um risotto de grana padano (0% lactose, a quem interessar possa) com balsâmico de mel e gengibre. O Pêra Manca já havia perdido um pouco de seus aromas, mas continuava potente. Decidimos abrir também o Domaine des Malandes Chablis Grand Cru Vaudésir, também 2009.
O Chablis é amarelo palha com aromas minerais, frutado, toques de madeira e de fundo de mar. Fresco, leve, exótico, delicioso.
| Chablis Vaudésir 2009 |
E, como era de se esperar, arrasou com meu português na harmonização. Faltou acidez ao Pêra Manca para enfrentar o gengibre e o mel e também para amenizar a gordura do queijo. Refeição à parte, são vinhos excelentes e bem diferentes entre si. Não sei dizer qual me agradou mais, mas, para as noites de verão, ficaria com o Chablis.
| Risoto de grana padano com balsâmico de mel e gengibre |
Devo confessar que nenhum harmonizou bem com minha carreira no Guitar Hero... Fica aqui minha mensagem sobre os prejuízos causados pela terceira taça!
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
O Leilão de Alain Delon
O ator Alain Delon realizou um leilão no dia 26 de novembro para vender algumas mil garrafas de sua coleção de vinhos. A estimativa era de que a venda atingisse algo em torno de 100 mil euros, mas a arrecadação chegou a mais de 250 mil euros graças a quem? Mais uma vez a eles, os chineses, claro...
O responsável foi Dong Guo, presidente de um grupo de mídia de Shenzen, que adquiriu 70 lotes, a apenas um passo de conseguir comprar a coleção inteira.
Havia muitas garrafas de 1935, ano de nascimento do ator, mas os lotes mais disputados foram o de 6 garrafas de Cheval Blanc 1947, vendido por 20 mil euros, e outro com 12 garrafas de Petrus 1972, vendido por 12.500 euros.
As garrafas tinham a marca da adega de Delon, o que ajudou a elevar os preços já que, além dos colecionadores de vinhos, agradou também aos colecionadores de objetos pessoais de famosos.
A razão da venda foi explicada apenas como sendo uma atitude normal de gerenciamento de "portfolio" para a aquisição de novas garrafas.
Segundo a revista Adega, Delon participa hoje de mais um leilão em Paris com o objetivo de angariar fundos para financiar pesquisas sobre a doença de Alzheimer, com garrafas de prestigio doadas por comerciantes e viticultores franceses, incluindo a Pouilly-Fumé produzida por Pascal Jolivet em colaboração com Alain Delon.
O responsável foi Dong Guo, presidente de um grupo de mídia de Shenzen, que adquiriu 70 lotes, a apenas um passo de conseguir comprar a coleção inteira.
Havia muitas garrafas de 1935, ano de nascimento do ator, mas os lotes mais disputados foram o de 6 garrafas de Cheval Blanc 1947, vendido por 20 mil euros, e outro com 12 garrafas de Petrus 1972, vendido por 12.500 euros.
As garrafas tinham a marca da adega de Delon, o que ajudou a elevar os preços já que, além dos colecionadores de vinhos, agradou também aos colecionadores de objetos pessoais de famosos.
A razão da venda foi explicada apenas como sendo uma atitude normal de gerenciamento de "portfolio" para a aquisição de novas garrafas.
Segundo a revista Adega, Delon participa hoje de mais um leilão em Paris com o objetivo de angariar fundos para financiar pesquisas sobre a doença de Alzheimer, com garrafas de prestigio doadas por comerciantes e viticultores franceses, incluindo a Pouilly-Fumé produzida por Pascal Jolivet em colaboração com Alain Delon.
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
Harmonização à la Provence
Uma dica séria e eficaz para harmonização se refere à combinação do prato típico com o vinho típico da região. Nunca me desapontou.
Segunda-feira chuvosa em Cannes, restaurante Le Caveau 30, o que esperar? Se na Provence, como os provençais: o vinho seria um rosé, o prato uma bouillabaisse.
Para começar, acho que nunca pediria uma sopa de peixe em um restaurante com inúmeras opções de ostras, lagostas e outros frutos do mar, mas essa foi minha escolha em nome da pesquisa empírica sobre a melhor combinação "mets et vins". Acabou se tornando simplesmente uma das melhores harmonizações em minha curta vida enogastronômica.
O prato:
Quem conhece, sabe que se trata de um prato típico provençal feito de peixe e mariscos, bastante condimentado, servido com torradas e, no meu caso, com uma pasta de mostarda que foi a cereja do bolo na combinação toda.
O vinho:
Domaine Bunan Rosé 2010, Moulin des Costes, AOC Bandol.
Seco, aromas de cereja e groselha, boa estrutura, em minha opinião, merecedor da medalha recebida em Paris em 2011.
A produção de rosés na Provence representa mais de 80% da produção de vinhos na região, portanto, acredito que eles saibam o que estão fazendo e o fazem muito bem (até mesmo porque a elaboração de um bom rosé não é das mais simples e, não à tôa, foi o vinho dos nobres e aristocratas até o século XIX).
Os rosés da Provence têm bom corpo e uma untuosidade que o tornam um acompanhamento perfeito para as refeições, o que pude comprovar naquela despretensiosa noite chuvosa na Riviera, dois dias após o encontro do G-20. Será que as escolhas deles foram tão acertadas quanto a minha? Algo me diz que não...
Segunda-feira chuvosa em Cannes, restaurante Le Caveau 30, o que esperar? Se na Provence, como os provençais: o vinho seria um rosé, o prato uma bouillabaisse.
Para começar, acho que nunca pediria uma sopa de peixe em um restaurante com inúmeras opções de ostras, lagostas e outros frutos do mar, mas essa foi minha escolha em nome da pesquisa empírica sobre a melhor combinação "mets et vins". Acabou se tornando simplesmente uma das melhores harmonizações em minha curta vida enogastronômica.
O prato:
| Bouillabaisse do restaurante Le Caveau 30 |
Quem conhece, sabe que se trata de um prato típico provençal feito de peixe e mariscos, bastante condimentado, servido com torradas e, no meu caso, com uma pasta de mostarda que foi a cereja do bolo na combinação toda.
O vinho:
Domaine Bunan Rosé 2010, Moulin des Costes, AOC Bandol.
Seco, aromas de cereja e groselha, boa estrutura, em minha opinião, merecedor da medalha recebida em Paris em 2011.
A produção de rosés na Provence representa mais de 80% da produção de vinhos na região, portanto, acredito que eles saibam o que estão fazendo e o fazem muito bem (até mesmo porque a elaboração de um bom rosé não é das mais simples e, não à tôa, foi o vinho dos nobres e aristocratas até o século XIX).
Os rosés da Provence têm bom corpo e uma untuosidade que o tornam um acompanhamento perfeito para as refeições, o que pude comprovar naquela despretensiosa noite chuvosa na Riviera, dois dias após o encontro do G-20. Será que as escolhas deles foram tão acertadas quanto a minha? Algo me diz que não...
Thoughts (and drinks) from Provence, by André Favero (versão enófila do texto “Ponders from Sahara”, de 2004, do mesmo autor)
No colors but fall vineyards
No scenery but a painting worthwhile
No memories but the last glass
No plans but never leaving the place
In the cellars of anonymous winemakers
The “easy” is so hard to get
That “simple” is pursued throughout generations
The flavor seduces
The soul raises
The tannin remarks
The taste remains
And the outsider only drinks
Instead of drinking and comprehending
As he sinks himself into the shallowness of the last drop
Pretending that he understands what is left when a bottle ends.
Copyright © 2011 by André Favero. Todos os direitos reservados (andre.favero@gmail.com)
terça-feira, 8 de novembro de 2011
A piece of information
Nesse post de outubro sobre a Provence, falei do Domaine de Trévallon e seu vinho premiado. Pois consegui visitá-los e fazer uma degustação vertical muito interessante! Ah, eles também produzem um branco, mas não estava disponível para degustação...
Como já falei do vinho, este post é apenas para falar do rótulo mais recente, o da safra 2009, que já traz a nova legislação sobre denominações de origem na Provence. Trata-se de um novo sistema para reduzir o número de indicações geográficas dos vinhos europeus, ou seja, uma lei que busca facilitar nossa vida como consumidores. Confesso que, durante os 12 dias de viagem até agora, foi o primeiro no qual vi a mudança.
Pelo rótulo acima, pode-se perceber que a denominação "Vin de Pays des Bouches du Rhône" já não mais existe, tendo dado lugar à "Indication Géographique Protegée - Alpilles". Para a filha do proprietário que nos recebeu, faz mais sentido já que os Alpilles estão mesmo bem ao lado da propriedade... Para mim, parece que dentro dessas IGPs teremos várias indicações que continuarão não nos dizendo muita coisa... Pelo menos o vinho continua o mesmo!!
Como já falei do vinho, este post é apenas para falar do rótulo mais recente, o da safra 2009, que já traz a nova legislação sobre denominações de origem na Provence. Trata-se de um novo sistema para reduzir o número de indicações geográficas dos vinhos europeus, ou seja, uma lei que busca facilitar nossa vida como consumidores. Confesso que, durante os 12 dias de viagem até agora, foi o primeiro no qual vi a mudança.
Pelo rótulo acima, pode-se perceber que a denominação "Vin de Pays des Bouches du Rhône" já não mais existe, tendo dado lugar à "Indication Géographique Protegée - Alpilles". Para a filha do proprietário que nos recebeu, faz mais sentido já que os Alpilles estão mesmo bem ao lado da propriedade... Para mim, parece que dentro dessas IGPs teremos várias indicações que continuarão não nos dizendo muita coisa... Pelo menos o vinho continua o mesmo!!
Domaine Faverot
Na parte provençal de nossa viagem, decidimos nos hospedar em uma vinícola, em um esquema mais residencial que hoteleiro. O escolhido foi o Domaine Faverot, uma propriedade familiar no centro da AOC Côtes du Luberon, que disponibiliza apartamentos totalmente equipados para que vc possa experimentar sua vida na Provence! E ainda rodeado por vinhedos!
O Domaine, com seus 7 hectares, produz cerca de 3000 garrafas anualmente, entre tintos, brancos e rosés, de forma orgânica. Trata-se de um pequeno produtor, um "vigneron indépendant", que nos surpreendeu com seus vinhos muito bem feitos.
Na degustação, experimentamos toda a linha de produção. Começamos pelo branco, 2010, um corte de Grenache Gris (40%), Rolle (30%) e Roussane (30%). Nossa primeira vez com essas castas: diferente e inesquecível! Envelhecido por 6 meses, parte em aço inox, parte em barrica. É um vinho jovem, frutado, floral, com notas minerais. Redondo no palato, com final frutado e um pouco untuoso. Um frutado mais sério, diferente dos brancos da América Latina e um mineral mais divertido, diferente dos Chablis da semana passada.
O rosé, também 2010, é 50% Syrah, 30% Carignan e 20% Grenache. Nariz de frutas vermelhas e especiarias. Final persistente e apimentado. Bom corpo, bom para acompanhar pratos leves. Típico provençal, compramos uma garrafa.
O primeiro tinto foi o Le Mazet 2008. Carignan (50%), Syrah (30%) e Grenache (20%), envelhecido por 12 meses em aço inox e barricas. Notas de frutas vermelhas, cereja e framboesa. Final prolongado de especiarias. Um pouco alcóolico demais, mas saboroso.
O top da vinícola, o La Cuvée du Général, leva Syrah e Grenache (50/50) e é envelhecido em barricas e tanques de carvalho por um ano. Provamos o 2005: aromas de frutas vermelhas maduras, compotas, com notas de couro e almíscar. Taninos redondos e bem equilibrado. Depois compramos uma garrafa da safra de 1999, que agora está em seu auge, e tivemos uma surpresa ainda mais agradável. Cor vermelha âmbar, taninos macios e aromas animais mais acentuados. Excelente!
O Domaine, com seus 7 hectares, produz cerca de 3000 garrafas anualmente, entre tintos, brancos e rosés, de forma orgânica. Trata-se de um pequeno produtor, um "vigneron indépendant", que nos surpreendeu com seus vinhos muito bem feitos.
Na degustação, experimentamos toda a linha de produção. Começamos pelo branco, 2010, um corte de Grenache Gris (40%), Rolle (30%) e Roussane (30%). Nossa primeira vez com essas castas: diferente e inesquecível! Envelhecido por 6 meses, parte em aço inox, parte em barrica. É um vinho jovem, frutado, floral, com notas minerais. Redondo no palato, com final frutado e um pouco untuoso. Um frutado mais sério, diferente dos brancos da América Latina e um mineral mais divertido, diferente dos Chablis da semana passada.
O rosé, também 2010, é 50% Syrah, 30% Carignan e 20% Grenache. Nariz de frutas vermelhas e especiarias. Final persistente e apimentado. Bom corpo, bom para acompanhar pratos leves. Típico provençal, compramos uma garrafa.
O primeiro tinto foi o Le Mazet 2008. Carignan (50%), Syrah (30%) e Grenache (20%), envelhecido por 12 meses em aço inox e barricas. Notas de frutas vermelhas, cereja e framboesa. Final prolongado de especiarias. Um pouco alcóolico demais, mas saboroso.
| O proprietário, François Faverot, e André Favero |
O top da vinícola, o La Cuvée du Général, leva Syrah e Grenache (50/50) e é envelhecido em barricas e tanques de carvalho por um ano. Provamos o 2005: aromas de frutas vermelhas maduras, compotas, com notas de couro e almíscar. Taninos redondos e bem equilibrado. Depois compramos uma garrafa da safra de 1999, que agora está em seu auge, e tivemos uma surpresa ainda mais agradável. Cor vermelha âmbar, taninos macios e aromas animais mais acentuados. Excelente!
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
Lições da Borgonha: Time is Wine. And Wine is Life, por André Favero
Dia 31.10.2011, 10hs. Café da manhã em Beaune, coração da Borgonha. Vinho local para o desjejum. Nem arrisco as tentações do cardápio...trufas, escargot e até a tal androuillete (não recomendo). O mundo do vinho, ainda mais no velho mundo, tem seu charme, e tudo parece dar certo nesse negócio. Mas claro que não é sempre assim.
Depois de passar 2 dias em Chablis, capital do Chardonnay na Borgonha, e 3 dias em Beaune, capital do Pinot Noir, fica claro que a expressão “joie de vivre” - assim como o “dolce far niente” dos italianos – é praticada como uma religião por todos os habitantes da região. Mas não somente por mero hedonismo ou charme. Faz parte da cultura de uma vida sofrida também. Viver do vinho não é vida fácil.
Não por acaso, a cultura de produzir vinho geralmente envolve diversas gerações da mesma família, que demoram décadas para conseguir se estabelecer nesse negócio que exige dedicação extrema e aprimoramento a cada garrafa produzida, para chegar a um produto que o consumidor entenda como aceitável – e com um preço razoável.
E pra aumentar o drama – e consequentemente o charme - da história da Borgonha, a região foi alvo de pequenos “contratempos” ao longo da história. Desde os huguenotes da reforma protestante (calvinistas na maioria), os conflitos da Revolução Francesa, a invasão dos Prussianos, a Segunda Guerra Mundial, culminando com ataques impiedosos da Phyloxera (praga que ataca os vinhedos), a produção de vinhos da região sempre se reergueu e se reestruturou. E olha que os primeiros registros de exportação do vinho da região para a Inglaterra e Bélgica remontam a 1450.
De volta a 2011, no sábado dia 29.10.2011, às 18hs, a Madame Marchive nos recebia na sua vinícola em Chablis para mostrar os vinhos brancos que produz e vende pro mundo inteiro (90% da produção é exportada). Mesmo que tentemos visitar os segredos de outras vinícolas ao longo da viagem, acredito que esta foi a grande oportunidade de ouvir da fonte primária toda a paixão e labuta que envolve o mundo do vinho na França. Noutras visitas, meros turistas outra vez, e recebidos pelos funcionários dos passeios padrão.
Conhecer de perto esse espírito e os segredos de alcova dos produtores nem sempre é possível. Os produtores franceses guardam a sete chaves os enigmas das suas caves, e geralmente não dão acesso a turistas. A visita completa fica reservada para importadores e grupos de investidores. Mas na tarde nublada do dia 29 fomos contemplados pela sorte. E com a dedicação contagiante da Madame Marchive (veja o post anterior), proprietária do Domaine Les Malandes. Suas mãos grossas e calejadas diziam o quanto a própria dona se dedica pessoalmente, e fisicamente, ao negócio.
A cada explicação da posição do sol e da localização dos première crus (lado esquerdo e direito da margem do rio Yonne) e dos grand crus (somente lado direito da margem), largos goles da perfeição em forma de Chardonnay. O melhor do mundo, como o próprio mundo considera. E ela segue com os detalhes sobre as duas outras classificações do vinho local, inferiores ao grand cru e ao première cru: o chablis, plantado a noroeste, o petit-chablis, plantado a sudeste. Isso determina a inclinação do terreno, a quantidade de minerais do solo, o ângulo do sol, o grão de uva que será resultante desses fatores todos e finalmente, o vinho que será elaborado a partir dessa combinação. Ah, sim, se o clima colaborar, não chover muito, etc. A visita culminou com a abertura, inusitada, inesperada, dos porões da cave (sim, isso existe!), que levaram ao subsolo, onde está todo o processo. A partir daqui, deixo por conta da imaginação - ou curiosidade - de cada um. Mas vi detalhes que não havia visto nas inúmeras outras visitas em outros lugares/países.
Desses passeios enófilos todos fica cada vez mais forte a mesma história: o vigneron pensa e vive o vinho, ao longo de toda a vida. Desde a influência do pai ou do avô na infância, durante os estudos e dedicação na vida adulta, e na busca por novos e apaixonados gestores que o substituirão na velhice. E nem sempre são os filhos, para a tristeza dos pais e avôs. Acordam torcendo para não chover em demasia; dormem pensando na próxima vindima, pois uma safra ruim significa descontinuidade de todo um trabalho de décadas. Como em qualquer outro lugar vitivinífero, mas no Velho Mundo parece diferente, não sei dizer a razão. Não escondem que o vinho é a medida de tempo que determina o ontem, o hoje, o amanhã da sua laboriosa vida. Vida que depende muito do vinho. E a nossa vida, a cada aroma, sabor e história descoberta, depende da vida e do tempo deles.
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Gevrey-Chambertin 2006
Fim de tarde frio e chuvoso, resolvemos comprar um vinho tinto (para sair um pouco da invasão dos brancos) em uma das inúmeras lojas de Beaune. O André ainda não tinha provado nenhum tinto que o impressionasse, então minha missão era séria. Na primeira loja, ao lado da boulangerie onde tínhamos acabado de comprar uma baguette para acompanhar, eis que encontro algo precioso: um Romanée St. Vivant 2005, do Domaine de la Romanée-Conti. Será que nem esse agradaria? Pela bagatela de 1800 euros, resolvi não pagar para ver!
Na loja ao lado, me deparei com o escolhido: um Gevrey-Chambertin Premier Cru 2006, Chateau de Marsannay, pela bagatela de 33 euros. Entre os tintos da Borgonha, este está entre meus preferidos (Napoleão também compartilha da minha opinião!).
Aromas de frutas vermelhas maduras, alcaçuz e notas de madeira. Final longo de especiarias. Taninos equilibrados, encorpado. Apesar de estar pronto para beber, o vinho ainda pode melhorar com mais um tempo de guarda. Ah, o André gostou bastante!
Na loja ao lado, me deparei com o escolhido: um Gevrey-Chambertin Premier Cru 2006, Chateau de Marsannay, pela bagatela de 33 euros. Entre os tintos da Borgonha, este está entre meus preferidos (Napoleão também compartilha da minha opinião!).
Aromas de frutas vermelhas maduras, alcaçuz e notas de madeira. Final longo de especiarias. Taninos equilibrados, encorpado. Apesar de estar pronto para beber, o vinho ainda pode melhorar com mais um tempo de guarda. Ah, o André gostou bastante!
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Château de Chassagne-Montrachet
O Château é propriedade de Michel Picard, um dos grandes (em termos de tamanho mesmo) produtores da Borgonha, com vinhedos próprios em diversas vilas e também como comprador de terceiros. A visita vale pelas caves: os brancos envelhecem em uma cave do século XI e os tintos em uma mais moderna, do século XIV!
A vinícola ainda oferece um almoço harmonizado para degustação de 6 de seus vinhos, do qual participamos felizes:
Como aperitivo, foi servido um Mercurey 1er Cru "Clos Paradis" 2008: frutado, fresco, leve, com notas amanteigadas, simples e surpreendente (16 euros)
Para acompanhar os embutidos regionais de entrada:
Chassagne-Montrachet "En Pimont" 2007 - aromas de flores e mel, notas minerais, bom corpo (25 euros)
Chassagne-Montrachet 1er Cru "Les Chenevottes" 2006 - aromas de compota de goiaba, mel, notas minerais, untuoso. Final longo e persistente. (35 euros)
Para o prato principal, "jambon au Madére et riz Thai":
Nuits-Saint-Georges 2006 - aromas de caça, couro, encorpado. Harmonizou ainda melhor que o próximo. (25 euros)
Volnay 1er Cru "Les Santenots" 2006 - aromas de frutas vermelhas e especiarias, um tanto mais feminino que o anterior. (30 euros)
Para acompanhar a tábua de queijos:
Chassagne-Montrachet 1er Cru "Les Macherelles" 2006 - aromas de frutas vermelhas, chocolate, taninos macios, redondo e bom corpo.
Para finalizar, antes do café, foi servido sorbet de framboesa e calda de cassis. Saímos do castelo satisfeitos, encantados e com uma garrafa do Chassagne-Montrachet 1er Cru.
A vinícola ainda oferece um almoço harmonizado para degustação de 6 de seus vinhos, do qual participamos felizes:
Como aperitivo, foi servido um Mercurey 1er Cru "Clos Paradis" 2008: frutado, fresco, leve, com notas amanteigadas, simples e surpreendente (16 euros)
Para acompanhar os embutidos regionais de entrada:
Chassagne-Montrachet "En Pimont" 2007 - aromas de flores e mel, notas minerais, bom corpo (25 euros)
Chassagne-Montrachet 1er Cru "Les Chenevottes" 2006 - aromas de compota de goiaba, mel, notas minerais, untuoso. Final longo e persistente. (35 euros)
Para o prato principal, "jambon au Madére et riz Thai":
Nuits-Saint-Georges 2006 - aromas de caça, couro, encorpado. Harmonizou ainda melhor que o próximo. (25 euros)
Volnay 1er Cru "Les Santenots" 2006 - aromas de frutas vermelhas e especiarias, um tanto mais feminino que o anterior. (30 euros)
Para acompanhar a tábua de queijos:
Chassagne-Montrachet 1er Cru "Les Macherelles" 2006 - aromas de frutas vermelhas, chocolate, taninos macios, redondo e bom corpo.
| Prato com os queijos: époisses de Bourgogne, comté e citeaux |
| Sorbet de sobremesa |
Le Cheval Blanc
Não, não se trata do vinho, mas de um restaurante em Vezélay, no caminho entre Chablis e Beaune. Vezélay vale a visita pela basílica de Sainte Madeleine, patrimônio da humanidade pela Unesco, rodeada por vinhedos e restaurantes charmosos.
Tentamos almoçar no L'Ésperance do chef Marc Meneau, mas, biensûr, não tinha vaga. Depois da visita à igreja e arredores, a fome bateu e já passava das 14 horas. Para vocês que não sabem, na França (ou na União Soviética como diria minha amiga, né Dani?), os restaurantes não servem almoço depois de 2 da tarde. Na descida da igreja, fez-se a luz: o restaurante Le Cheval Blanc (não, não escolhi de propósito, foi o único a nos aceitar para uma refeição).
Como o vinho, o restaurante não poderia nos deixar na mão. O menu, por 28 euros, surpreendeu em todos os passos e, para acompanhar, escolhemos um vinho do vilarejo: Bourgogne Vezélay, de Henry de Vezélay, um produtor a alguns metros de distância.
O meu prato estava divino e, segundo o André, a anos-luz à frente da escolha dele, um corte de cordeiro. E, para a sobremesa, um mix de frutas, creme e caramelo, perfeito!
Tentamos almoçar no L'Ésperance do chef Marc Meneau, mas, biensûr, não tinha vaga. Depois da visita à igreja e arredores, a fome bateu e já passava das 14 horas. Para vocês que não sabem, na França (ou na União Soviética como diria minha amiga, né Dani?), os restaurantes não servem almoço depois de 2 da tarde. Na descida da igreja, fez-se a luz: o restaurante Le Cheval Blanc (não, não escolhi de propósito, foi o único a nos aceitar para uma refeição).
| Restaurante Le Cheval Blanc, em Vezélay |
Como o vinho, o restaurante não poderia nos deixar na mão. O menu, por 28 euros, surpreendeu em todos os passos e, para acompanhar, escolhemos um vinho do vilarejo: Bourgogne Vezélay, de Henry de Vezélay, um produtor a alguns metros de distância.
| Lombo ao molho de geléia de gengibre |
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Domaine des Malandes
Por sugestão de Clive Coates em seu livro "Wines from Burgundy", marquei uma visita ao Domaine des Malandes, mas chegando lá nos deparamos com os portões fechados! Também pudera: era sábado, final do dia. Qual foi nossa surpresa ao percebermos que a senhora que nos atendeu ao telefone e se prontificou a sair de casa e nos receber era ninguém menos que a Senhora Lyne Marchive, a proprietária, que nos guiou por toda a degustação com toda a desenvoltura de uma produtora e a paciência de uma professora, fazendo valer cada minuto da visita.
Sobre o Domaine, trata-se de um pequeno produtor que une a tradição familiar (família Tremblays de Chablis) com a tecnologia moderna a fim de alcançar a melhor qualidade, prezando pela tipicidade do terroir. No comando da vinícola desde 1972, a Senhora Marchive, de seus cerca de 27 hectares, tem produzido pouco mais de 200 mil garrafas, das quais a maior parte é da denominação Chablis. Seus vinhos têm sido muito bem avaliados e muito se fala da qualidade dos vinhedos, que somado ao toque feminino na produção, tem resultado em vinhos finos e elegantes. Viva a França e suas vigneronnes renomadas!
À degustação:
Provamos um Chablis 2010, um Premier Cru Côte de Léchet 2010, outro Premier Cru Vau de Vey 2009, um Grand Cru Vaudésir 2009 e outro Grand Cru Les Clos 2010. Todos muito bem feitos, equilibrados e com a tipicidade dos vinhos de Chablis. Talvez pela idade (sim, esses brancos têm guarda de até 10 anos), os que mais me agradaram foram o Vau de Vey e o Vaudésir.
O primeiro tem aromas florais, boa acidez e muita mineralidade, com bom corpo. Pelo último, tenho uma queda especial, como demonstrei no último post. O des Malandes é floral, mineral, untuoso, exuberante. O Les Clos também me agrada muitíssimo, mas se parece mais aos brancos da Côte d'Or, mais poderosos. O Chablis também foi uma boa supresa, um vinho leve, fresco, perfeito para acompanhar peixes e frutos do mar crus, não à tôa, um dos mais exportados para o Japão.
O Petit Chablis não estava disponível para degustação, mas a safra 2009 já levou uma medalha de ouro em Paris.
O melhor? O custo-benefício. Como já deveria saber e pude comprovar, os vinhos da Borgonha são caros mesmo, mesmo aqui. Os vinhos do Domaine des Malandes têm preços mais acessíveis e, claro, compramos algumas garrafas! O Côte de Léchet por 12,50 euros, o Vaudésir por 25 e o Les Clos por 27 euros.
Apesar de exportarem 92% da produção, suas exportações para o Brasil são quase inexistentes. Quase porque recentemente foi fechado um contrato com uma nova importadora de São Paulo que ainda nem está em pleno funcionamento. Ou seja, em Brasília, não devem passar nem perto...
Ao final, ainda degustamos um Beaujolais 2010 Moulin à Vent da produção de seu filho, Domaine Richard Rottiers, também muito agradável, fresco e jovem, com bom corpo.
Sobre o Domaine, trata-se de um pequeno produtor que une a tradição familiar (família Tremblays de Chablis) com a tecnologia moderna a fim de alcançar a melhor qualidade, prezando pela tipicidade do terroir. No comando da vinícola desde 1972, a Senhora Marchive, de seus cerca de 27 hectares, tem produzido pouco mais de 200 mil garrafas, das quais a maior parte é da denominação Chablis. Seus vinhos têm sido muito bem avaliados e muito se fala da qualidade dos vinhedos, que somado ao toque feminino na produção, tem resultado em vinhos finos e elegantes. Viva a França e suas vigneronnes renomadas!
| Madame Marchive e seus tonéis coloridos |
À degustação:
Provamos um Chablis 2010, um Premier Cru Côte de Léchet 2010, outro Premier Cru Vau de Vey 2009, um Grand Cru Vaudésir 2009 e outro Grand Cru Les Clos 2010. Todos muito bem feitos, equilibrados e com a tipicidade dos vinhos de Chablis. Talvez pela idade (sim, esses brancos têm guarda de até 10 anos), os que mais me agradaram foram o Vau de Vey e o Vaudésir.
O primeiro tem aromas florais, boa acidez e muita mineralidade, com bom corpo. Pelo último, tenho uma queda especial, como demonstrei no último post. O des Malandes é floral, mineral, untuoso, exuberante. O Les Clos também me agrada muitíssimo, mas se parece mais aos brancos da Côte d'Or, mais poderosos. O Chablis também foi uma boa supresa, um vinho leve, fresco, perfeito para acompanhar peixes e frutos do mar crus, não à tôa, um dos mais exportados para o Japão.
O Petit Chablis não estava disponível para degustação, mas a safra 2009 já levou uma medalha de ouro em Paris.
Apesar de exportarem 92% da produção, suas exportações para o Brasil são quase inexistentes. Quase porque recentemente foi fechado um contrato com uma nova importadora de São Paulo que ainda nem está em pleno funcionamento. Ou seja, em Brasília, não devem passar nem perto...
Ao final, ainda degustamos um Beaujolais 2010 Moulin à Vent da produção de seu filho, Domaine Richard Rottiers, também muito agradável, fresco e jovem, com bom corpo.
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
Enfin, Chablis!!
Depois de quase 24 horas de viagem, nous sommes arrivés à Chablis! E eis nosso anfitrião:
A princípio, o restaurante da Hostellerie des Clos fechava às 21hs, mas já era quase 21h30 e nos acolheram, famintos e cansados...
Sobre o vinho:
Chablis Grand Cru Vaudésir 2007,
Domaine Christian Moreau Pére & Fils.
O Domaine está entre os melhores de Chablis, mas a safra 2007 de Vaudésir parece não ter sido muito boa em termos de acidez. Para mim, pareceu simplesmente perfeita!
Aromas minerais, florais e de amêndoas. Em boca, ainda mais surpreendente, redondo e untuoso. Equilibrado e com boa persistência. O André finalmente entendeu o que sempre quis dizer sobre os Chardonnays de Chablis...
Para harmonizar com o vinho, o Menu Tradition oferecido pelo Chef, com entrada de creme de abóbora com trufas e truta salmonada como prato principal.
O menu todo se casou perfeitamente com o vinho ou seria o contrário? Whatever. Para mim, a harmonização perfeita se daria apenas com um bom livro e uma boa poltrona...
Por fim, o chef preparou uma sobremesa especial, sem lactose, praticamente uma outra refeição: frutas vermelhas, figo, maracujá, grapefruit, abacaxi, tangerina e outras (mais parecia um kit de aromas de vinhos!)
A viagem só está começando. Salut!!
A princípio, o restaurante da Hostellerie des Clos fechava às 21hs, mas já era quase 21h30 e nos acolheram, famintos e cansados...
Sobre o vinho:
Chablis Grand Cru Vaudésir 2007,
Domaine Christian Moreau Pére & Fils.
O Domaine está entre os melhores de Chablis, mas a safra 2007 de Vaudésir parece não ter sido muito boa em termos de acidez. Para mim, pareceu simplesmente perfeita!
Aromas minerais, florais e de amêndoas. Em boca, ainda mais surpreendente, redondo e untuoso. Equilibrado e com boa persistência. O André finalmente entendeu o que sempre quis dizer sobre os Chardonnays de Chablis...
Para harmonizar com o vinho, o Menu Tradition oferecido pelo Chef, com entrada de creme de abóbora com trufas e truta salmonada como prato principal.
O menu todo se casou perfeitamente com o vinho ou seria o contrário? Whatever. Para mim, a harmonização perfeita se daria apenas com um bom livro e uma boa poltrona...
Por fim, o chef preparou uma sobremesa especial, sem lactose, praticamente uma outra refeição: frutas vermelhas, figo, maracujá, grapefruit, abacaxi, tangerina e outras (mais parecia um kit de aromas de vinhos!)
A viagem só está começando. Salut!!
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
A Terra do Rosé e seus Tintos Premiados
Então comecei a estudar a Provence. E, como tudo na França, diversas Denominações de Origem e a importância de se conhecer o produtor. É, dá uma preguiiiiça... Mas compensa!!
E quem diria que a terra dos rosés produz vinhos tintos que agradam ao paladar exigente e encorpado de Robert Parker? (ok, ok, pode ser que só eu não sabia disso!). Enfim, entre agradáveis e surpreendentes rosés secos e frutados, tivemos o prazer de degustar alguns tintos que merecem destaque. Entre eles, o Domaine de Trévallon:
Trata-se de um corte de Syrah e Cabernet Sauvignon, um vinho para mais de 10 anos de guarda. Dizem ser o melhor da Provence. Encorpado, complexo, redondo. Aromas de frutas vermelhas, herbáceo e apimentado, muita azeitona. No Brasil, está por volta de R$ 300,00 (acho bem caro já que há outros tão bom quanto por menos da metade do preço).
Foi em 1982 que Robert Parker tornou o vinho conhecido mundialmente e foi em 1993 que o Domaine foi desqualificado como AOC Coteaux des Baux en Provence por utilizar mais de 20% de Cabernet Sauvignon em seus vinhos e se tornou um Vin de Pays.
Na Provence, existem 15 tipos de Vin de Pays entre regionais, departamentais ou ligados a uma zona histórico-geográfica, todos devidamente regulamentados. O Domaine de Trévallon é um Vin de Pays des Bouches-du-Rhône (departamental), lá perto de Avignon. E o rótulo, diferenciado, é um trabalho de René Dürrbach, pai do proprietário Eloi Dürrbach. Falecido em 2000, aos 89 anos, René Dürrbach, pintor e escultor, foi amigo de ninguém menos que Pablo Picasso. Será que o rótulo te diz alguma coisa?
E quem diria que a terra dos rosés produz vinhos tintos que agradam ao paladar exigente e encorpado de Robert Parker? (ok, ok, pode ser que só eu não sabia disso!). Enfim, entre agradáveis e surpreendentes rosés secos e frutados, tivemos o prazer de degustar alguns tintos que merecem destaque. Entre eles, o Domaine de Trévallon:
Trata-se de um corte de Syrah e Cabernet Sauvignon, um vinho para mais de 10 anos de guarda. Dizem ser o melhor da Provence. Encorpado, complexo, redondo. Aromas de frutas vermelhas, herbáceo e apimentado, muita azeitona. No Brasil, está por volta de R$ 300,00 (acho bem caro já que há outros tão bom quanto por menos da metade do preço).
Foi em 1982 que Robert Parker tornou o vinho conhecido mundialmente e foi em 1993 que o Domaine foi desqualificado como AOC Coteaux des Baux en Provence por utilizar mais de 20% de Cabernet Sauvignon em seus vinhos e se tornou um Vin de Pays.
Na Provence, existem 15 tipos de Vin de Pays entre regionais, departamentais ou ligados a uma zona histórico-geográfica, todos devidamente regulamentados. O Domaine de Trévallon é um Vin de Pays des Bouches-du-Rhône (departamental), lá perto de Avignon. E o rótulo, diferenciado, é um trabalho de René Dürrbach, pai do proprietário Eloi Dürrbach. Falecido em 2000, aos 89 anos, René Dürrbach, pintor e escultor, foi amigo de ninguém menos que Pablo Picasso. Será que o rótulo te diz alguma coisa?
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