sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

É fato, os vinhos estão mais fortes e os rótulos estão mentindo!

No espírito do post anterior que fala sobre como a mão do homem tem alterado as características dos vinhos para ir de encontro à preferência do consumidor e às notas dos especialistas, Jancis Robinson comentou em seu site, final de semana passado, sobre um estudo da Associação Americana de Economistas do Vinho, publicado em maio de 2011, que analisa o crescente percentual alcoólico dos vinhos modernos. 

Trata-se de um estudo econométrico para comprovar que o aumento do percentual alcoólico dos vinhos se deve menos a questões climáticas e principalmente aos produtores que perceberam que consumidores e especialistas buscam vinhos com sabor mais maduro, com taninos mais macios e menos acidez.  Como os níveis de acidez caem com o amadurecimento das uvas, os vinicultores têm preferido colhê-las mais tarde, apesar de relutarem em admitir quão alcoólico o vinho deve ser para atingir os objetivos de palato redondo e macio.

Os dados foram retirados da base do monopólio de importação do Canadá, o Liquor Control Board of Ontario (LCBO), que tem por hábito testar e registrar uma série de características dos vinhos importados, incluindo o teor alcoólico.

Utilizando o "índice de calor" (variável de temperatura durante o período de crescimento das plantas), os economistas encontraram um coeficiente de 0,05, o que sugere que o aumento de 1°F na média da temperatura na época de crescimento das plantas provocaria um aumento de 0,05 na média de conteúdo alcoólico dos vinhos.  Assim, a temperatura teria que subir 20°F, ou 11°C, para um aumento de 1 pp na quantidade média de álcool.  Acontece que, na média, o percentual alcoólico dos vinhos aumentou em 0.07 pp/ano ou 1.12pp nos últimos 18 anos.

Os países com maior teor real de álcool são do Novo Mundo:  Estados Unidos, Argentina, Austrália e Chile (13,88, 13,79, 13,75 e 13,71% respectivamente). A média para os novatos foi de 13.65 enquanto a média européia foi de 13.01, estimulada consideravelmente pela Espanha com seus 13.43%. Além disso, notou-se que o "índice de calor" não aumentou muito na maioria dos lugares analisados, especialmente nos países onde o percentual alcoólico disparou.

Como você deve ter percebido, me referi a "teor real de álcool".  Sim, meus caros, o rótulo nem sempre diz a verdade e geralmente subestima o conteúdo alcoólico verdadeiro por cerca de 0.39pp na Europa e cerca de 0.45pp no Novo Mundo.  Essa é a segunda parte do estudo.

Esta imprecisão dos rótulos é mais fácil nos EUA do que na Europa em razão da legislação americana que permite uma variação de 1.5% para mais ou para menos em vinhos com teor alcoólico de até 14% (para vinhos mais fortes, ainda se pode variar em 1pp a informação do rótulo). Na Europa, o teor informado não pode variar mais que 0.5% do nível real. Os países com rótulos mais imprecisos são Chile, Argentina, Espanha e EUA.

No Brasil, a legislação permite que os vinhos finos tenham de 8,6% a 14% de teor alcoólico por volume, sem qualquer regulamentação sobre tolerância a eventuais variações na informação do rótulo.  Entendo que se variar 0,1pp, o rótulo poderá ser considerado falso e a ação sujeita a penas. (O mais interessante é que vinho com teor alcoólico acima de 14% é classificado pela lei nacional como licoroso, simples assim, o que se faria com alguns Châteauneuf-du-Pape 2010 que atingiram mais de 16%??)

Na média, os rótulos demonstram uma diferença de 0,13pp no volume de álcool real.  57.1% das amostras subestimaram o volume de álcool por volume em 0,42pp. Por outro lado, 32,2% das amostras apresentaram erro para mais em 0,32pp.  Conclui-se, assim, que existe uma tendência para que o teor alcoólico dos vinhos convirja para 13% nos tintos do Velho Mundo, 12,5% nos seus brancos, 13,6% nos tintos do Novo Mundo e 13,1% em seus brancos.

Os erros substanciais encontrados não foram cometidos inconscientemente. Alguns produtores admitiram fazer alterações nos rótulos, dentro dos limites da lei, porque seria mais vantajoso na divulgação do vinho já que os rótulos trariam a informação que o consumidor espera encontrar em um vinho de alta qualidade.

Tendo em vista os altos custos envolvidos na variação da quantidade de álcool sem alteração das demais características do vinho, percebe-se que os consumidores estão dispostos a pagar um prêmio pela maciez resultante, mas não pelo seu teor alcóolico.  Assim, é lucrativo para a vinícola entregar ao consumidor as características de sabor desejadas e as informações de rótulo esperadas. É o marketing, estúpido.

Há muito o que questionar nesse estudo, disponível, em inglês, no site da Associação aqui. Os resultados são frágeis, condicionados pela base de dados utilizada e pela metodologia escolhida.  Econometria.  A pesquisa poderia refletir apenas a evolução do padrão de compras/gosto dos canadenses. De qualquer forma, sabemos que os vinhos estão mesmo mais alcóolicos e não sei se é relevante saber se estou bebendo um vinho com 13% de álcool/volume ou 13,42%.  É muito preciosismo, muita química para um momento de poesia.

Os vinhos estão mais fortes porque gostamos assim.  Ninguém quer esperar 20 anos para abrir uma garrafa e encontrar um vinho com taninos domados.  Gostamos assim porque Parker mandou ou Parker deu uma boa nota porque gostamos assim?  Who cares.  Talvez ainda valha a pena refletir sobre o império das notas que tem feito alguns produtores nos tratar, consumidores, como crianças mimadas...  Mas toda discussão sobre vinhos se não for para falar de belas histórias, de luta, de resistência, de solidariedade, de transformação, de romance, é pura bobagem.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Barris de carvalho: dádiva ou maldição?

Por André Favero

Em recente viagem a Washington/EUA, aproveitei para provar alguns vinhos da "domestic production", como os americanos chamam os vinhos nacionais. E como as adegas e importadoras mesclam grande quantidade de vinhos nacionais e estrangeiros, nada melhor do que ir ao supermercado local para saber quais são os produtos que mandam no pedaço.

E é exatamente como "domestic products" que as gôndolas dos grandes supermercados americanos destacam os vinhos nacionais, e dão muito espaço para diversos produtores. Depois de uma pesquisa rápida de rótulo a rótulo, sem conhecer nada do mercado americano de vinhos, decidi pela conhecida região do Napa Valley.  Escolhi um Merlot, que estou bem acostumado a provar - muitos dos melhores brasileiros têm esse corte, além é claro dos clássicos Bordeaux - e que facilita a comparação. E obviamente a célebre rejeição ao Merlot no filme Sideways não influenciou minha escolha. Resultado: "Markham Vineyards, Merlot 2007 - Napa Valley". De volta ao Brasil fiquei sabendo que 2007 foi uma grande safra no Napa Valley e que o tal vinho foi listado como um dos 10 melhores de 2011 por alguns especialistas (veja aqui) e recebeu 90 pontos pela Wine Spectator. Em 2008, foram 91 pontos. Sim, um chutaço, sem vergonha nenhuma de dizer. Às vezes dá certo!



 

Ao degustar o vinho, algumas notas herbáceas e de especiarias, e uma presença em boca não tão consistente, mas agradável, típica do Merlot. No entanto, chamou a atenção o aroma de baunilha e caramelo, desde a abertura da garrafa e evoluindo rapidamente, a ponto de inibir as outras características da uva. Não era algo espontâneo; parecia enjoativo, agressivo até. Lembrei na hora daquele indignado velhinho do documentário Mondovino (altamente recomendável, disponível nas maioria das locadoras). Aquele é o Sr. Hubert de Montille, proprietário do Domaine de Montille, que criticou acintosamente a indústria vitivinífera mundial - sim, o coroa disparou pra todo lado!!! - por ter se rendido ao gosto e às valiosas avaliações do Robert Parker. É de conhecimento público que as influentes notas de Parker carregam um gosto todo especial para os aromas e sabores advindos dos barris de carvalho. Tem baunilha, tem tabaco, tem caramelo, opa, o mercado vai aceitar mais facilmente. E é legal dizer que o vinho tem “influência do carvalho”, não é?! Rsrs

Só que dessa forma, os críticos de Parker alegam que a produção de vinho está se tornando homogênea demais, a ponto de perder a tipicidade regional, tanto nas características das uvas utilizadas quanto nos métodos de vinificação. Sobre a influência de Parker no mundo do vinho, nos preços e no perfil dos vinhos produzidos, parece bem interessante o livro "The Emperor of Wine: The Rise of Robert M. Parker Jr. and the Reign of American Taste". O livro é de 2005. Ainda não consegui ler, mas parece interessante.

Ainda mais porque sim, o barril de carvalho exerce um papel importante na oxigenação do vinho e também na sua complexidade. Essa complexidade vem das variáveis tempo de guarda, barril novo, barril usado, carvalho francês, carvalho americano, carvalho eslovênio. Tem também os aromas do próprio carvalho, como a baunilha, o alcaçuz, a canela, e os aromas provenientes da tostada na parede interna do barril, como o chocolate, o caramelo, o café. Claro que tudo isso, em proporção moderada, dá um toque especial ao vinho. Por essas razões existe a polêmica em torno das avaliações de Parker, que também emite suas poderosas opiniões na revista bimestral “Wine Advocate”.

Mas será mesmo que o excesso do barril de carvalho, para atender aos desígnios de Parker e inúmeros outros seguidores – já formadores de opinião aos leigos desprotegidos – está arrancando a essência do vinho, que é justamente o terroir, as cepas típicas, a tradição dos métodos seculares passados de geração a geração?

Já se fala que o reino de Parker está em declínio, e que sua influência já é bem menor, principalmente no Velho Mundo. Mas não se pode desprezar o impacto que ele tem no mundo do vinho, e que ajudou de certa forma o vinho americano a conquistar seu espaço nos corações, mentes e papilas de enófilos e enólogos do mundo inteiro. Imagino, por exemplo, a voracidade com que a classe média-alta chinesa está consumindo as notas Parker. Bem, isso vale também para a classe média-alta brasileira também...

Polêmicas à parte, falo por mim: acredito que aquele não é o gosto do típico vinho americano. Se for, não gostei. E é um vinho que certamente agrada ao paladar de muitos. Equilibrado, macio, com o trinômio acidez-álcool-tanicidade bem harmonizado. Mas sem alma, cinza, monocórdico, um verdadeiro quase.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Apresentando o Pizzato Merlot

É fato, os brasileiros conhecem muito pouco os vinhos nacionais.  Infelizmente.  E por brasileiros não me refiro apenas à grande maioria que bebe menos de 1,8 litro por ano, estou falando também daqueles que gostam da bebida e têm o hábito de consumi-la frequentemente.

Percebo que, até para algumas pessoas que se dedicam mais ao vinho, o Brasil se destaca apenas por seus espumantes.  Outras ainda acreditam que não existe vinho tinto bom no Brasil.  Mas, por incrível que pareça, a maioria dos vinhos brasileiros premiados no exterior é tinto.  Os estrangeiros não nutrem a mesma admiração por nossos espumantes.  Em termos de custo-benefício, é verdade que o vinho brasileiro perde, mas vejo pessoas pagando o mesmo valor que poderiam pagar em um bom brasileiro por um importado meia boca.

Com isso em mente, esse final de semana, em São Paulo, fomos à tradicional Lellis Trattoria para o almoço de domingo.  E, na busca por um tinto mais leve, me deparei com uns chilenos caros, uns italianos mais ou menos e uma infinidade de tintos encorpados.  Hora de divulgar o Brasil para uma mesa que já tinha "ouvido falar" apenas de Don Laurindo: escolhi um Pizzato Reserva Merlot.


Safra 2007.  Um vinho fácil de beber, nariz de frutas e especiarias e notas de madeira, equilibrado e delicado.  5 meses apenas em barrica de carvalho americano.  R$ 74,00 no restaurante, média de R$ 35,00 no varejo.  Melhor que muito carmenère chileno que já tomei por aí... Agradou a todos e valeu a divulgação.  Missão cumprida!

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Can't live without: Aplicativos de Vinhos para seu Iphone

Se você mergulhou no mundo tecnológico de cabeça, adicionou um I a toda sua vida e já se esqueceu como era usar uma caneta ao invés do dedo, este post é para você. Havia prometido no início do blog que em algum momento falaria de aplicativos para Iphone e eis que é chegado o momento! 

Como não tenho muita paciência para ficar horas inserindo dados e gerenciando adegas virtuais, meus aplicativos são simples, fáceis de usar, rápidos e eficientes.  Alguns dos meus escolhidos:

1. Wine Cellar

Perfeito na medida.  Controlo o que tenho na adega de forma simples, rápida e divertida. O som da abertura de portas da adega é tudo!  Há vários tipos de aplicativos para gerenciamento de adegas, mas este funciona melhor para mim.  E é tão bonitinho!

O aplicativo disponibiliza estatísticas sobre quantas garrafas estão disponíveis, quanto vc já bebeu, quanto gastou... Depois de beber, você pode enviar a garrafa para a garagem se quiser comprá-la novamente (aí você dá uma nota para seu vinho, entre 1 e 5 estrelas) ou para a lixeira.  Há também a wishlist para você incluir aqueles vinhos que quer comprar um dia, quem sabe...

Recomendo!

Para montar sua adega, você escolhe o formato, cor e cápsula da garrafa e inclui uma foto do rótulo
A ficha com informações do vinho
A relação elencada por tipo de vinho
As opções de garagem, wishlist e lixeira

2. Wine Notes

Ótimo para quem tem blog!  Ou apenas quer se lembrar de um vinho que tomou futuramente.  Você insere as informações sobre o vinho que está bebendo: nome, produtor, região, notas de degustação (tem até a opção para selecionar a cor do vinho), onde está bebendo, com quem...  Bem legal, mas às vezes leva um tempo para preencher tudo e pode parecer desagradável se estiver com amigos em um restaurante...

Adicionando o vinho

Definindo a Região

Inserindo Notas (dá para criar as suas também)

Escaneando o Código de Barras (ainda não descobri o que fazer com isso depois)

Ao final, você pode tuitar seus amigos e se tornar oficialmente um enochato!

3. Wine Spectator Vintage Chart

Tabela com informações sobre as safras das principais regiões produtoras: a nota, a informação sobre beber ou esperar e alguns detalhes sobre a safra em si.  Muito útil, uso sempre como guia de compras e, às vezes, para escolher vinhos em restaurantes.  Recomendo!

4. Wine Stein

Seu sommelier particular: um aplicativo de harmonização.  Claro, só vale como uma rápida referência, afinal a harmonização pode ser bem mais complexa do que um aplicativo poderia supor.  De qualquer forma, é, para mim, o mais completo pois você escolhe todos os ingredientes do prato e o resultado é extenso, te dando mais opções de vinhos. 

Você também pode escolher o prato para um determinado vinho.  E agora, a novidade é escolher vinhos para os pratos do menu de algum restaurante que utilize o aplicativo (ainda não utilizei e não sei se há restaurantes brasileiros cadastrados)



5. Hello Vino

Mais um aplicativo de harmonização.  Mais simples que o anterior, mas ajuda em uma emergência ou quando você precisa de inspiração...



6. Wine Pairing

Também sobre harmonização.  Acho o banco de dados bem mais restrito que os outros, ainda mais americanizado que os outros, mas também é boa fonte de referência.


7. Cor.kz

Um aplicativo bem completo, como se fosse o Cellar e o Wine Notes em um só e ainda mais turbinados. As estatísticas, por exemplo, são bem mais detalhadas que as do Cellar.  Você pode levantar dados até por tipo de vinho.


Tentei usar uma vez, mas dava muito trabalho inserir tantas informações (leia-se: levava muito tempo), aí desisti.  Acho que era muito avançado para mim!!  Vou tentar de novo...






That's all, folks, (por enquanto)!

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Sobre ontem à noite...

Tentei resistir ao máximo, mas não consegui. Ontem à noite, aquele friozinho, aquela chuvinha, me entreguei ao Joaquim...

Devo confessar que tinha alguns preconceitos com os vinhos da Villa Francioni.  Preconceitos não, melhor, tinha mesmo era pouca coragem para pagar por eles.  E, como a primeira impressão é a que fica, fiquei um pouco assustada quando, em Florianópolis, os preços variavam entre R$ 90,00 e mais de R$ 200,00.  Cheguei a pensar que jamais provaria esses vinhos, não nessa vida.

Tudo começou a mudar quando, em setembro, o Rogério (aquele do texto Sexo & Vinho) e a Gina trouxeram uma garrafa de um rosé lindo e delicioso para um jantar.  Achei bem bom, mas como já era tarde da noite e passadas algumas outras garrafas, não parei para prestar muita atenção.

Mês passado, durante as compras do Natal, um vendedor quis me convencer a levar esse mesmo rosé com sua garrafa diferenciada.  Na semana seguinte, a diferente estava lá de novo, na adega do Anacleto em Santa Catarina. Começou a parecer uma conspiração do cosmos...

A conspiração se confirmou quando o Anacleto nos presenteou com uma garrafa do Joaquim Cabernet-Merlot 2006. Ontem, antes de ir para casa, aquela garrafa do rosé apareceu acenando, de novo, exposta em uma mesinha de degustação da Vintage Vinhos. Era o sinal que faltava. E, quando o universo conspira, não podemos ignorar: noite de testar a Villa Francioni, noite do Joaquim.

E das trevas fez-se luz. E vi que era bom! E lá se foi uma, e se foram duas, e resisti bravamente à terceira taça.  Afinal, o universo dá um jeito, mas temos que fazer nossa parte!

E foi assim que revi meus conceitos e destruí algumas barreiras. O vinho não é bom não, é excelente!  Nariz intenso de frutas vermelhas, vegetal, chocolate e menta.  Juro que encontrei isso tudo (dica: decante antes!). Corpo médio, harmônico, taninos macios. Harmonizei com sopa de legumes e carne (sim, é inverno no Centro-Oeste) e se saiu bem (apenas cuide para que a sopa não esteja quente demais e anestesie suas papilas gustativas, atrapalhando a degustação).

Joaquim 2006


Quanto às barreiras do preço, fiquei supresa em ver que esse vinho não custa mais de R$ 90,00 e sim cerca de R$ 60,00, conforme encontrei pela web. Percebi, ainda, que os preços divulgados no site da Villa Francioni não são os praticados no varejo em geral e, pelos valores de lá, eu já teria comprado uma garrafa há muito tempo!  No site da vinícola, este vinho está R$ 39,00 e facilmente pagaria mais por ele, até mesmo os 60 reais.

Mais uma comparação: o tal rosé que me persegue está R$ 47,00 no site da vinícola e na Vintage, aqui em Brasília, me ofereceram por cerca de R$ 60,00 (acho que o mesmo preço que a Gina pagou em setembro).

O tal rosé


Foi um prazer imenso conhecer melhor o Joaquim! Certamente vou querer conhecer o resto da família.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Leitura de Férias: Vinhos

Para você que está curtindo suas merecidas férias ou, como eu, apenas curtindo chuva em Brasília, preparei uma pequena seleção de livros para incrementar seu momento.  Afinal, um um bom livro vai bem na praia, na montanha, no inverno de Brasília ou mesmo com apenas uma taça de vinho! 

E, seguindo as regras básicas de harmonização, nesse último caso, se o livro falar sobre a bebida, a combinação será perfeita! 


1. Champanhe, de Don & Petie Kladstrup
    "Como o mais sofisticado dos vinhos venceu a guerra e os tempos difíceis"
     Meu primeiro livro sobre o mundo dos vinhos, rendeu uma viagem a Champagne, na França, para verificar in loco suas histórias deliciosas.

2. Vinho & Guerra, de Don & Petie Kladstrup
    "Os franceses, os nazistas e a batalha pelo maior tesouro da França"
    Não preciso dizer mais nada.

3. A experiência do Gosto
    "O mundo do vinho segundo Jorge Lucki"
     64 artigos de Jorge Lucki publicados no jornal Valor Econômico. Uma delícia de ler e uma constante fonte de referência.

4. Mil Dias na Toscana, de Marlena de Blasi
    "Memórias de um pequeno vilarejo repleto de comida, romance e, acima de tudo, vida"
    Delicioso de ler, o vinho aparece, mas, como não poderia deixar de ser na Itália, acompanhando refeições maravilhosas e intermináveis.

5.  As Mulheres Francesas Não Engordam, de Mireille Guiliano
     "Uma leitura divertida, que mostra como comer com prazer e sem culpa!"
      Há um capítulo especial (pequeno) sobre vinhos, o mínimo já que a autora é presidente e CEO da Clicquot, Inc., em Nova York, e diretora da Champagne Veuve Clicquot, em Reims.  Um livro bem chatinho, cheio de preconceitos e hipocrisia, mas deixo aqui caso você esteja sem opções.


Minha próxima leitura:

Bebo, logo existo, de Roger Scruton
"Guia de um filósofo para o vinho"
Ganhei de aniversário da Naiara e do Elizeu, "um antídoto bem-humorado para a pretensiosa conversa oca que hoje se escreve sobre o vinho e uma profunda apologia à bebida sobre a qual a civilização foi fundada", can't wait!!

Já me indicaram e ainda não li:
O Gosto do Vinho, de Emile Peynaud

Se você não está de férias e é um nerd (ou um geek para acompanhar a evolução e evitar conflitos de geração), minhas sugestões de leitura não gostosas mas altamente informativas:

1. The World Atlas of Wine, de Hugh Johnson e Jancis Robinson
    Para você que é autodidata, um curso completo e excelente.

2. The Wines of Burgundy, de Clive Coates
    Um curso sobre a complicada região da Borgonha.

3. The Finest Wines of Tuscany and Central Italy, de Nicolas Belfrage
    Um guia para os melhores vinhos e seus produtores.

4. Hugh Johnson's Pocket Wine Book 2012
    Um guia para você ter em mãos sempre, especialmente na hora de escolher seu próximo vinho.  Excelente para te acompanhar em viagens internacionais (não tem muita coisa sobre o Brasil).

domingo, 8 de janeiro de 2012

Duelo de harmonização: Pêra Manca branco x Chablis Grand Cru Vaudésir

Na sexta-feira abri um Pêra Manca branco 2009 que ganhei de D. Mariluce, minha mãe, como lembrança de sua viagem a Portugal (um parênteses para contar que lá ela pagou 14 euros).  Sozinha em casa, harmonizou bem com minha indignação assistindo Lua Nova da saga Crepúsculo (é sério que esses filmes são recordes de bilheteria? é sério que a garota prefere o vampiro ao lobisomem??).

Enfim, o vinho é excelente: amarelo dourado, sabe cor de dia de sol na praia? Aromas de amêndoas, flores, mel, manteiga, notas minerais.  Em boca, confirmou quase tudo: untuoso, amendoado, redondo, enche a boca e desce macio.  Final longo, persistente e amanteigado. Maravilhoso!

Pêra Manca Branco 2009

Esse vinho me lembrou muito alguns bons Borgonhas brancos, apesar de ser um corte de Antão Vaz e Arinto. Será que estou falando uma heresia?  Oh, well...

No sábado, decidi praticar meus dotes culinários e preparei um risotto de grana padano (0% lactose, a quem interessar possa) com balsâmico de mel e gengibre.  O Pêra Manca já havia perdido um pouco de seus aromas, mas continuava potente.  Decidimos abrir também o Domaine des Malandes Chablis Grand Cru Vaudésir, também 2009.

O Chablis é amarelo palha com aromas minerais, frutado, toques de madeira e de fundo de mar.  Fresco, leve, exótico, delicioso.

Chablis Vaudésir 2009

E, como era de se esperar, arrasou com meu português na harmonização.  Faltou acidez ao Pêra Manca para enfrentar o gengibre e o mel e também para amenizar a gordura do queijo. Refeição à parte, são vinhos excelentes e bem diferentes entre si.  Não sei dizer qual me agradou mais, mas, para as noites de verão, ficaria com o Chablis.


Risoto de grana padano com balsâmico de mel e gengibre


Devo confessar que nenhum harmonizou bem com minha carreira no Guitar Hero...  Fica aqui minha mensagem sobre os prejuízos causados pela terceira taça!

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Eno-Preconceitos, por Carol Cirotto (a 1ª Parte da Degustação de Grandes Vinhos Brasileiros)

(Conforme prometido a minha amiga Sabrina, aí está minha colaboração para  o blog. Eu tardo, mas não falho!)

Preconceito, de acordo com Aurélio, é” um conceito ou opinião formados antecipadamente, sem maior ponderação ou conhecimento dos fatos”. Sim, eu tenho preconceitos! Entre os confessáveis em um blog, posso citar os vinhos nacionais.

Estava eu confortável com o meu preconceito, até que a Sá me convidou para uma degustação de grandes vinhos brasileiros... Grandes vinhos brasileiros? Só pode ser ironia, ou então, uma degustação de espumantes. Será?
Como a companhia valia a tentativa, aceitei o convite! A harmonização de um Miolo Reserva 2004 com Penne ao Ragú de cordeiro também pesou na decisão (#gulafeelings)... mas o mais importante foi que se, como disse Seu Aurélio, o preconceito está intrínseco à ignorância,  eu resolvi encarar meu preconceito de frente e me informar melhor.
Bom, sempre achei os vinhos tintos brasileiros medianos (ou medíocres) e caros para o que ofereciam. Será que a degustação acabará com essa visão?
Antes de experimentarmos os vinhos, fomos informadas que o objetivo da degustação seria mostrar a evolução do vinho brasileiro... Opa! Parece que vim no lugar certo. A evolução seria mostrada por meio de 9 vinhos (mais um vinho da harmonização). Com certeza, estou no lugar certo ;0)
O primeiro vinho foi o Quinta Santa Maria Gran Utopia 2008 (70% Cabernet, 30% Merlot). De acordo com o produtor, um vinho encorpado, elegante, longo final de boca, com notas de baunilha, chocolate, tabaco e alcaçuz.  Minha humilde opinião: vinho fresco, mas nada elegante. Forte acidez. Notas de puro alcaçuz (eu não gosto de alcaçuz), na opinião da Sá, de pimentão (pimentão também não está na minha lista de preferências). Ok... não adorei.
O segundo vinho foi o Antônio Dias Cabernet Sauvignon 2008 (100% Cabernet, claro). Descrito como  aveludado, equilibrado com taninos macios e persistentes. Aroma de frutas vermelhas super maduras, chocolate e café torrado. Eu achei o vinho bem mais agradável que o anterior. Realmente os taninos são macios, um pouco demais na minha opinião, falta acidez. Quanto ao aroma de frutas maduras e chocolate, nem sinal. No final, ficava um gosto predominante de menta. Bom, gostei, tomaria comendo uma pizza, mas nada surpreendente.

Antônio Dias Cabernet e Gran Utopia

O terceiro foi um dos vinhos da degustação vertical Miolo Lote 43, 2008, (50% Cabernet, 50% Merlot). Eu estava cheia de expectativas, primeiro, porque esse vinho é o ícone da Miolo, segundo, pela possibilidade de depois provar o mesmo vinho do ano de 2002 e poder sentir a passagem do tempo na ponta de língua (ansiedade!). Bem, o vinho é descrito como de boa intensidade e aromas de ameixas secas, geléias, couro, tabaco, trufas, groselha, hortelã, vegetal, vime e nozes (ufa...). Parece bem complexo, não? (ansiedade!). E realmente é o melhor dos 3, mais complexo, acidez no ponto, aroma predominante de frutas secas (tabaco? vime? Não, não percebi). Bem bom.
Quarto vinho: Casa Valduga Villa-Lobos 2006 (100% Cabernet). A promessa é de vinho com bom corpo, taninos maduros, persistência gustativa longa e agradável. Aroma de frutas vermelhas maduras com cassis, toques de especiarias, baunilha, café e chocolate. Hum... adoro vinhos que prometem bom corpo. Bem, como dizer isso, a-do-rei!  Uau! Acidez perfeita, aroma complexo e, com certeza, persistência gustativa longa. Mais que agradável, excelente! E agora? O que faço com meu preconceito? Hein, Sá?
O quinto vinho era o Don Abel Gran Reserva Safra 2005 (70% Cabernet, 30% Merlot). As informações fornecidas foram vinho sem adição de açúcar (Como assim? Essa informação é mesmo necessária?), sabor intenso, paladar aveludado e encorpado, taninos maduros. Vencedor de dois prêmios. Nossa! Vencedor de prêmios? Vamos prová-lo, então. Percebe-se nesse vinho uma coloração opaca, aroma ácido, sabor intenso de… removedor de esmaltes? Talvez, seja necessário deixá-lo respirar mais um pouco. Não, o vinho está mesmo oxidado… Comoção… é Don Abel, fica para a próxima.
Partimos para o sexto vinho da noite, Aurora Milésime Cabernet Sauvignon 2005 (100% Cabernet). Esse vinho é elaborado apenas em anos nos quais  as condições são consideradas excelentes para a produção. Foi produzido somente em 1991, 1999, 2004, 2005 e 2008, sendo os de 2005 feitos com a melhor safra existente. Possui aromas de frutas vermelhas maduras, notas de baunilha e chocolate, taninos aveludados e excelente persistência. Minha opinião: aroma de vinho maduro, bem encorpado, sabor persistente… simplesmente, maravilhoso!
O sétimo vinho foi o Don Giovanni Tannat 2004 (100% Tannat), descrito como um vinho de taninos macios, bom volume de boca e final prolongado. Aroma de frutas vermelhas, notas de cacau, chocolate e champignon. Bem, eu achei decepcionante. Não sei se foi porque o vinho anterior era tão perfeito, achei esse bem mediano.
O oitavo vinho foi o segundo vinho da degustação vertical (ficou confuso?) Miolo Lote 43 2002 (50% Cabernet e 50% Merlot). A descrição já está acima, é igual a do ano 2008, mas ao provar pode-se perceber que o tempo fez muito bem ao vinho. Acidez na medida, sabor prolongado na boca, aroma de frutas secas marcado, mas neste consegui perceber o vime, o tabaco , as nozes… tudo! Envelhecer faz bem.
O nono e último vinho da degustação foi o Boscato Gran Reserva Cabernet Sauvignon 2001 (100% Cabernet). O vinho prometia taninos maduros e aroma de frutas maduras, amora, ameixa, especiarias, café e cassis. Tudo isso potencializado pelos 10 anos de maturação… mas, durante a degustação, percebemos um gosto azedo ao final… é, o vinho já tinha passado de seu melhor e começava a demonstrar  os sinais maléficos do passar do tempo.
Resumindo, vários vinhos de boa qualidade, mas os meus top 3 são: Aurora Milésime Cabernet Sauvignon 2005, Casa Valduga Villa-Lobos 2006 e Miolo Lote 43 2002 (nesta ordem).
Essa degustação me fez perceber que o preconceito nos impossibilita de viver coisas boas e usufruir novas sensações. Existem sim bons vinhos brasileiros, não sei se melhores ou piores que os italianos, mas diferentes. Obrigada, Sá! Obrigada por destruir um dos meus preconceitos.... boas amizades nos proporcionam isso!

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Compras na Argentina

Nesse pequeno e corrido recesso tivemos a oportunidade de cruzar a fronteira e fazer umas comprinhas em Bernardo de Irigoyen, na conhecida Vera Vinos (antiga Soda Vera), reformulada e bem mais requintada.  A loja está bem legal, os vinhos separados por tipo e produtor em um ambiente mais clean e espaçoso, além de uma variedade de acessórios para incrementar o ritual da bebedeira do serviço do vinho.

Mas, o melhor de tudo, é o preço.  Já sendo desnecessário comparar com o Brasil, comparo com as próprias vinícolas em Mendoza, onde grande parte é elaborada, e com lojas de Buenos Aires: os vinhos são consideravelmente mais baratos. E ok se vc quiser me explicar porque isso acontece com alguma teoria sobre o comércio das fronteiras, talvez até concorde, mas, tendo cumprido minha parte de trazer menos que minha cota de 12 litros e em valor inferior a US$ 300 (yay, ponto no quesito vestindo a camisa da instituição!), só me interessa pagar barato.

E para vc morrer de inveja, eis aqui alguns dos preços que paguei:
Lagarde Blanc de Noir 2011 - R$ 23,00 (R$ 45,00 no Brasil)
Salentein Reserva Pinot Noir 2010 - R$ 26,00 (cerca de R$ 70,00 no Brasil)
El Enemigo Malbec 2008 - R$ 60,00 (mais de R$ 90,00 no Brasil)
D.V. Catena Adrianna Vineyard 2005 - R$ 94,50 (cerca de R$ 200,00 no Brasil)

Compramos também algumas outras garrafas que foram distribuídas/consumidas pelo caminho e não chegaram aqui em Brasília:
D.V. Catena Cabernet-Malbec 2006 - R$ 27,00 (cerca de R$ 60,00 no Brasil)
Luigi Bosca Syrah - R$ 27,00 (a partir de R$ 50,00 no Brasil)
Rutini Cabernet-Malbec 2009 - R$ 35,00 (R$ 75,00 aqui)
D.V. Catena Malbec-Malbec 2007 - R$ 40,00 (também R$ 75,00)

Esses acompanharam o churrasco do dia 30

Comprei também um Rutini Gewurtztraminer por R$ 49,00, mas fermentou no calor da viagem e a rolha estourou.  Nada foi derramado, então guardei a garrafa com uma nova tampa na geladeira, deitadinha, se recuperando de todo o stress sofrido.  Depois então fui prová-lo, mas o achei meio sem graça, sem acidez, talvez eu já estivesse condicionada a ter essa opinião, talvez...

Enfim, anote a dica, após o especial sobre a Argentina da Wine Spectator de dezembro, pode ser que os preços subam ainda mais na capital e nas vinícolas...

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Harmonizando a Dieta

Segunda-feira, 2 de janeiro, dia internacional para se começar uma dieta.  E, para vc que se prometeu um corpo mais esbelto em 2012, minha dica para deixar tudo mais gostoso:  Vinho Rosé!

Existe esse papo de vinho tinto leve para o dia-a-dia, mas acho que vinho para o dia-a-dia mesmo deveria ser branco ou rosé.  Vamos combinar que em tempos de busca por qualidade de vida, valorização da saúde e culto ao corpo, um cardápio repleto de saladas, frango e peixe grelhado não combina muito com outra coisa.  Dependendo de como os grelhados são feitos (aqueles para dietas especialmente), às vezes até os tintos leves ficam um pouco pesados.  Então, rosé!

Sugestão:

Domaine Faverot Rosé 2010
(não está disponível no Brasil, falei sobre a vinícola aqui, mas vale qualquer rosé seco e frutado)


Domaine Faverot Rosé 2010

Um corte das variedades típicas do Luberon: Grenache, Syrah e Mourvèdre*. 
Álcool a 13,5%.
Um rosé cor cereja, frutado, com aromas de morango, framboesa e cereja e notas de especiarias.  Corpo médio, ótima acidez.  E o melhor: harmonizou direitinho com meu peito de frango grelhado e legumes cozidos (sem manteiga, claro!).

*No site do Domaine, descrevem o rosé da safra 2008 que leva syrah, carignan e grenache.  O rótulo da safra 2010 traz a informação acima. Parece que, a cada safra, o proprietário se diverte com os cortes!