E eis que um dia após o Renato Machado ter sutilmente sugerido, em seu programa na CBN, que é difícil beber vinho no calor, a ABS Brasília realizou, ontem, uma degustação de vinhos para o verão.
Explico, Sardenberg lançou o tema "vinhos para o calorzão" e o Renato Machado respondeu comentando sobre uma reportagem em algum jornal britânico que falava sobre a dificuldade de se vender vinhos na Índia. Existem razões culturais, religiosas, tributárias, mas, segundo o comentarista, a principal razão é que lá é muito quente! Bom, no último segundo, ele voltou ao tema e disse que vinho para o calor tem que ser ..., o áudio falhou, mas ele disse que voltaria ao assunto no dia seguinte para responder, não voltou.
Bom, ele deve ter dito que brancos e rosés leves servem para o verão, se não, pelo menos sobre o Piscine eu não tenho dúvidas!
Dessa vez, fui acompanhada do Franco, já apreciador de vinhos, e da Mari, que alega não saber nada sobre a bebida. Assim, claro, a responsabilidade de escrever sobre a degustação ficou a cargo dela!
Apenas como um teaser, os vinhos degustados foram, nessa ordem:
1. Verdicchio dei Castelli di Jesi Classico - 2010 - Itália (R$ 59,86)
2. Abad Dom Bueno Godello Joven - 2010 - Espanha (R$ 45,00 na Grand Cru)3. Colomé Torrontés - 2010 - Argentina (R$ 48,30 na Decanter)
4. Riesling (PE Dopff & Fils) - 2009 - França (R$ 70,22 na Mistral)
5. Animal Chardonnay (Tikal - Ernesto Catena) - 2010 – Argentina (R$ 52,62 na Mistral)
6. Gran Feudo Rosado - 2010 - Espanha (R$ 43,12 na Mistral)
7. Fausto Pizzato Merlot 2011 - Brasil (R$ 25,00 na Super Adega)
Apesar da minha fase rosada, os rosés não me surpreenderam, ou as 5 taças anteriores não deixaram que me surpreendessem... De qualquer forma, o Pizzato deu um banho no espanhol, feito de 100% Garnacha (podiam fazer um cursinho na Provence sobre como fazer um corte com essa uva!).
A galera gostou mais do Chardonnay. Um brinde à madeira! O Franco, que não tinha dúvida nenhuma que não gostava de Riesling, mudou de idéia. Eu, que não tinha dúvida nenhuma que gostava de Torrontés, mudei de idéia. Em boca, estava bem bom, seco, com boa acidez, mas os aromas estavam um pouco "Moscatel" demais. Talvez, e nisso concordarão meus amigos argentinos, era porque esse Torrontés não era de Cafayate!! Como não estou certa se é a memória me deixando na mão ou se minhas preferências mudaram, vou ter que tirar a prova. Logo.
A história completa da degustação em breve...
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
A Tunísia tem vinho, sim senhor
Domingo fomos conhecer o wine lounge de um casal de amigos. É, na casa deles. Isso mesmo, eles têm um wine lounge para chamar de seu. Pior, com vista para o lago.
E uma adega variada! Começamos na Argentina e terminamos adivinha? Na Tunísia!
Mas qual a surpresa nisso, não é mesmo? O Norte da África produz vinho desde o tempo dos Impérios grego e fenício, assim como a Provence e a Sicília. Além disso, junto com a Argélia, a Tunísia é considerada um dos melhores produtores do mundo árabe. Elementar, meu caro.
E os vinhos de lá têm nome e sobrenome: AOCs, Grand Crus, medalhas de ouro e tudo mais. A produção se modernizou com os investimentos estrangeiros, principalmente francês, e a produção, em 2004 (dados defasados, mas são os que encontrei), atingiu 375 mil hectolitros. A título de comparação, naquele mesmo ano, o Brasil produziu 3,9 milhões de hectolitros.
Para guiar suas compras, as 7 AOCs do país:
AOC « Mornag Grand Cru» a 40 kms ao sul de Túnis, é conhecida por seus vinhos encorpados, aveludados, generosos e maduros. A casta principal é a Carignan, geralmente associada a outros tipos mais fortes como Syrah ou Cabernet. Os rosés são feitos de Cinsault e Grenache e os brancos são elaborados a partir da Ugni blanc e Rezzegui.
AOC « Mornag »
Caracterizada pela introdução de diferentes castas, que oferecem mais possibilidades para a elaboração de tintos, rosés e brancos equilibrados. Esta região é banhada pelo mar, seus vinhos são encorpados e potentes.
AOC « Côteaux de Tébourba »
A segunda denominação em produção, seus vinhos são considerados exclusivos e têm mais prestígio.
AOC « Sidi Salem »
Situada a cerca de 30km ao sul de Túnis, produz tintos e rosés.
AOC « Kélibia »
Situada na ponta da região do Cabo Bon, se beneficia do clima mediterrâneo. Os vinhedos contam com uma única cepa: a Muscat de Kélibia, frutada e seca.
AOC « Thibar »
Com clima continental influenciado pela altitude, com invernos frios e verões quentes e média pluviométrica de 500mm/ano, produz tintos, rosés e brancos comercializados sob as seguintes denominações: Clos de Thibar, Côteaux de Thibar et Domaine de Thibar.
AOC « Côteaux d’Utique »
A 40 km ao norte de Túnis, as montanhas permitem boa exposição ao sol. Seus tintos e rosés são muito apreciados por sua aparência, pela elegância de seu bouquet e pela maciez.
Sobre o vinho:
Chateau Mornag Vin Rouge de Tunisie
Safra: 2006
AOC: Mornag Grand Cru
Corte: Carignan, Syrah e Merlot
Álcool: 12,5°
A Merlot se destaca mais no corte e as especiarias das outras cepas se esconderam um pouco. O vinho é um tanto rústico, com acidez pronunciada, me lembrando alguns italianos mais simples. O pessoal achou um pouco adocicado, o que me lembra os tintos do Domaine Faverot (lembra?). Ou seja, norte da África, Itália, sul da França...
Corpo médio para leve, não pareceu muito com a descrição de sua AOC acima. É um vinho bem elaborado, vivo, equilibrado, interessante e acho que ficaria ainda melhor acompanhando uma refeição, coisa de vinho do velho Velho Mundo!
A pergunta que não quer calar: os vinhos da Tunísia são mesmo do Novo Mundo?
| Só um pedacinho para que sua inveja também seja pequenininha! |
Mas qual a surpresa nisso, não é mesmo? O Norte da África produz vinho desde o tempo dos Impérios grego e fenício, assim como a Provence e a Sicília. Além disso, junto com a Argélia, a Tunísia é considerada um dos melhores produtores do mundo árabe. Elementar, meu caro.
E os vinhos de lá têm nome e sobrenome: AOCs, Grand Crus, medalhas de ouro e tudo mais. A produção se modernizou com os investimentos estrangeiros, principalmente francês, e a produção, em 2004 (dados defasados, mas são os que encontrei), atingiu 375 mil hectolitros. A título de comparação, naquele mesmo ano, o Brasil produziu 3,9 milhões de hectolitros.
Para guiar suas compras, as 7 AOCs do país:
AOC « Mornag Grand Cru» a 40 kms ao sul de Túnis, é conhecida por seus vinhos encorpados, aveludados, generosos e maduros. A casta principal é a Carignan, geralmente associada a outros tipos mais fortes como Syrah ou Cabernet. Os rosés são feitos de Cinsault e Grenache e os brancos são elaborados a partir da Ugni blanc e Rezzegui.
AOC « Mornag »
Caracterizada pela introdução de diferentes castas, que oferecem mais possibilidades para a elaboração de tintos, rosés e brancos equilibrados. Esta região é banhada pelo mar, seus vinhos são encorpados e potentes.
AOC « Côteaux de Tébourba »
A segunda denominação em produção, seus vinhos são considerados exclusivos e têm mais prestígio.
AOC « Sidi Salem »
Situada a cerca de 30km ao sul de Túnis, produz tintos e rosés.
AOC « Kélibia »
Situada na ponta da região do Cabo Bon, se beneficia do clima mediterrâneo. Os vinhedos contam com uma única cepa: a Muscat de Kélibia, frutada e seca.
AOC « Thibar »
Com clima continental influenciado pela altitude, com invernos frios e verões quentes e média pluviométrica de 500mm/ano, produz tintos, rosés e brancos comercializados sob as seguintes denominações: Clos de Thibar, Côteaux de Thibar et Domaine de Thibar.
AOC « Côteaux d’Utique »
A 40 km ao norte de Túnis, as montanhas permitem boa exposição ao sol. Seus tintos e rosés são muito apreciados por sua aparência, pela elegância de seu bouquet e pela maciez.
Sobre o vinho:
Chateau Mornag Vin Rouge de Tunisie
Safra: 2006
AOC: Mornag Grand Cru
Corte: Carignan, Syrah e Merlot
Álcool: 12,5°
A Merlot se destaca mais no corte e as especiarias das outras cepas se esconderam um pouco. O vinho é um tanto rústico, com acidez pronunciada, me lembrando alguns italianos mais simples. O pessoal achou um pouco adocicado, o que me lembra os tintos do Domaine Faverot (lembra?). Ou seja, norte da África, Itália, sul da França...
Corpo médio para leve, não pareceu muito com a descrição de sua AOC acima. É um vinho bem elaborado, vivo, equilibrado, interessante e acho que ficaria ainda melhor acompanhando uma refeição, coisa de vinho do velho Velho Mundo!
A pergunta que não quer calar: os vinhos da Tunísia são mesmo do Novo Mundo?
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
A Maria, do Valduga
É mesmo verdade que o vinho faz a ocasião e é besteira ficar esperando pelo momento certo para abrir um vinho especial. Vai que esse momento demora a chegar e seu vinho vira vinagre...
Assim, inspirada por Miles que tomou seu Cheval Blanc 1961 com um hamburguer no filme Sideways, sexta-feira passada, ao invés de esperar acontecer, fiz a hora. Troquei o cinema pela TV e fui ao encontro de Maria Valduga.
Ainda não tinha provado esse lançamento da Casa Valduga e é fácil supor se tratar de uma bebida especial: é o espumante top da vinícola, evoluindo por quatro anos na garrafa, tem um preço diferenciado (leia-se caro, R$ 130,00 na Super Adega) e uma garrafa linda e luxuosa com direito a um cristalzinho no rótulo. O rótulo da primeiríssima garrafa foi confeccionado com 42 gramas de ouro 18k e um cristal Swarovski, parece mesmo ter sido feito para uma grande celebração, não?
O espumante é elaborado pelo método champenoise (segunda fermentação na garrafa), 80% Chardonnay e 20% Pinot Noir, é safrado (2006) e envelhece por 48 meses nas caves frias e escuras da vinícola. O produtor se refere a um "bouquet elegante e intenso com notas de frutas em calda, remetendo principalmente a pera e maçã. Os aromas de brioche amanteigados e pão delicadamente tostados expressam a complexidade adquirida durante a lenta maturação deste espumante".
Para acompanhar, pedimos comida japonesa que harmonizou muito bem com esse espumante amarelo palha, brilhante, com perlage fininho e muito persistente. Cremoso, complexo, aromas intensos e penetrantes. O espumante mostra a que veio já na sua abertura, os aromas se exalam e chamam a atenção, não deixando nada a dever à exuberância da garrafa. Nariz de frutas (talvez damasco, mas não encontrei a tal da pera e da maçã), brioche e pão tostado definitivamente, amêndoas. Em boca também faz bonito, amanteigado, amendoado, delicioso, fresco na medida e intenso, bem intenso. Para não esquecer tão cedo.
E assim, em uma sexta-feira qualquer, decidi comemorar o 20º dia do ano e fui feliz para sempre...
Assim, inspirada por Miles que tomou seu Cheval Blanc 1961 com um hamburguer no filme Sideways, sexta-feira passada, ao invés de esperar acontecer, fiz a hora. Troquei o cinema pela TV e fui ao encontro de Maria Valduga.
Ainda não tinha provado esse lançamento da Casa Valduga e é fácil supor se tratar de uma bebida especial: é o espumante top da vinícola, evoluindo por quatro anos na garrafa, tem um preço diferenciado (leia-se caro, R$ 130,00 na Super Adega) e uma garrafa linda e luxuosa com direito a um cristalzinho no rótulo. O rótulo da primeiríssima garrafa foi confeccionado com 42 gramas de ouro 18k e um cristal Swarovski, parece mesmo ter sido feito para uma grande celebração, não?
| Maria Valduga quase no ponto (viu o cristalzinho?) |
O espumante é elaborado pelo método champenoise (segunda fermentação na garrafa), 80% Chardonnay e 20% Pinot Noir, é safrado (2006) e envelhece por 48 meses nas caves frias e escuras da vinícola. O produtor se refere a um "bouquet elegante e intenso com notas de frutas em calda, remetendo principalmente a pera e maçã. Os aromas de brioche amanteigados e pão delicadamente tostados expressam a complexidade adquirida durante a lenta maturação deste espumante".
| A garrafa luxuosa onde ocorre a maturação por 48 meses |
Para acompanhar, pedimos comida japonesa que harmonizou muito bem com esse espumante amarelo palha, brilhante, com perlage fininho e muito persistente. Cremoso, complexo, aromas intensos e penetrantes. O espumante mostra a que veio já na sua abertura, os aromas se exalam e chamam a atenção, não deixando nada a dever à exuberância da garrafa. Nariz de frutas (talvez damasco, mas não encontrei a tal da pera e da maçã), brioche e pão tostado definitivamente, amêndoas. Em boca também faz bonito, amanteigado, amendoado, delicioso, fresco na medida e intenso, bem intenso. Para não esquecer tão cedo.
E assim, em uma sexta-feira qualquer, decidi comemorar o 20º dia do ano e fui feliz para sempre...
| Perlage fino e persistente |
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
É fato, os vinhos estão mais fortes e os rótulos estão mentindo!
No espírito do post anterior que fala sobre como a mão do homem tem alterado as características dos vinhos para ir de encontro à preferência do consumidor e às notas dos especialistas, Jancis Robinson comentou em seu site, final de semana passado, sobre um estudo da Associação Americana de Economistas do Vinho, publicado em maio de 2011, que analisa o crescente percentual alcoólico dos vinhos modernos.
Trata-se de um estudo econométrico para comprovar que o aumento do percentual alcoólico dos vinhos se deve menos a questões climáticas e principalmente aos produtores que perceberam que consumidores e especialistas buscam vinhos com sabor mais maduro, com taninos mais macios e menos acidez. Como os níveis de acidez caem com o amadurecimento das uvas, os vinicultores têm preferido colhê-las mais tarde, apesar de relutarem em admitir quão alcoólico o vinho deve ser para atingir os objetivos de palato redondo e macio.
Os dados foram retirados da base do monopólio de importação do Canadá, o Liquor Control Board of Ontario (LCBO), que tem por hábito testar e registrar uma série de características dos vinhos importados, incluindo o teor alcoólico.
Utilizando o "índice de calor" (variável de temperatura durante o período de crescimento das plantas), os economistas encontraram um coeficiente de 0,05, o que sugere que o aumento de 1°F na média da temperatura na época de crescimento das plantas provocaria um aumento de 0,05 na média de conteúdo alcoólico dos vinhos. Assim, a temperatura teria que subir 20°F, ou 11°C, para um aumento de 1 pp na quantidade média de álcool. Acontece que, na média, o percentual alcoólico dos vinhos aumentou em 0.07 pp/ano ou 1.12pp nos últimos 18 anos.
Os países com maior teor real de álcool são do Novo Mundo: Estados Unidos, Argentina, Austrália e Chile (13,88, 13,79, 13,75 e 13,71% respectivamente). A média para os novatos foi de 13.65 enquanto a média européia foi de 13.01, estimulada consideravelmente pela Espanha com seus 13.43%. Além disso, notou-se que o "índice de calor" não aumentou muito na maioria dos lugares analisados, especialmente nos países onde o percentual alcoólico disparou.
Como você deve ter percebido, me referi a "teor real de álcool". Sim, meus caros, o rótulo nem sempre diz a verdade e geralmente subestima o conteúdo alcoólico verdadeiro por cerca de 0.39pp na Europa e cerca de 0.45pp no Novo Mundo. Essa é a segunda parte do estudo.
Esta imprecisão dos rótulos é mais fácil nos EUA do que na Europa em razão da legislação americana que permite uma variação de 1.5% para mais ou para menos em vinhos com teor alcoólico de até 14% (para vinhos mais fortes, ainda se pode variar em 1pp a informação do rótulo). Na Europa, o teor informado não pode variar mais que 0.5% do nível real. Os países com rótulos mais imprecisos são Chile, Argentina, Espanha e EUA.
No Brasil, a legislação permite que os vinhos finos tenham de 8,6% a 14% de teor alcoólico por volume, sem qualquer regulamentação sobre tolerância a eventuais variações na informação do rótulo. Entendo que se variar 0,1pp, o rótulo poderá ser considerado falso e a ação sujeita a penas. (O mais interessante é que vinho com teor alcoólico acima de 14% é classificado pela lei nacional como licoroso, simples assim, o que se faria com alguns Châteauneuf-du-Pape 2010 que atingiram mais de 16%??)
Na média, os rótulos demonstram uma diferença de 0,13pp no volume de álcool real. 57.1% das amostras subestimaram o volume de álcool por volume em 0,42pp. Por outro lado, 32,2% das amostras apresentaram erro para mais em 0,32pp. Conclui-se, assim, que existe uma tendência para que o teor alcoólico dos vinhos convirja para 13% nos tintos do Velho Mundo, 12,5% nos seus brancos, 13,6% nos tintos do Novo Mundo e 13,1% em seus brancos.
Os erros substanciais encontrados não foram cometidos inconscientemente. Alguns produtores admitiram fazer alterações nos rótulos, dentro dos limites da lei, porque seria mais vantajoso na divulgação do vinho já que os rótulos trariam a informação que o consumidor espera encontrar em um vinho de alta qualidade.
Tendo em vista os altos custos envolvidos na variação da quantidade de álcool sem alteração das demais características do vinho, percebe-se que os consumidores estão dispostos a pagar um prêmio pela maciez resultante, mas não pelo seu teor alcóolico. Assim, é lucrativo para a vinícola entregar ao consumidor as características de sabor desejadas e as informações de rótulo esperadas. É o marketing, estúpido.
Há muito o que questionar nesse estudo, disponível, em inglês, no site da Associação aqui. Os resultados são frágeis, condicionados pela base de dados utilizada e pela metodologia escolhida. Econometria. A pesquisa poderia refletir apenas a evolução do padrão de compras/gosto dos canadenses. De qualquer forma, sabemos que os vinhos estão mesmo mais alcóolicos e não sei se é relevante saber se estou bebendo um vinho com 13% de álcool/volume ou 13,42%. É muito preciosismo, muita química para um momento de poesia.
Os vinhos estão mais fortes porque gostamos assim. Ninguém quer esperar 20 anos para abrir uma garrafa e encontrar um vinho com taninos domados. Gostamos assim porque Parker mandou ou Parker deu uma boa nota porque gostamos assim? Who cares. Talvez ainda valha a pena refletir sobre o império das notas que tem feito alguns produtores nos tratar, consumidores, como crianças mimadas... Mas toda discussão sobre vinhos se não for para falar de belas histórias, de luta, de resistência, de solidariedade, de transformação, de romance, é pura bobagem.
Trata-se de um estudo econométrico para comprovar que o aumento do percentual alcoólico dos vinhos se deve menos a questões climáticas e principalmente aos produtores que perceberam que consumidores e especialistas buscam vinhos com sabor mais maduro, com taninos mais macios e menos acidez. Como os níveis de acidez caem com o amadurecimento das uvas, os vinicultores têm preferido colhê-las mais tarde, apesar de relutarem em admitir quão alcoólico o vinho deve ser para atingir os objetivos de palato redondo e macio.
Os dados foram retirados da base do monopólio de importação do Canadá, o Liquor Control Board of Ontario (LCBO), que tem por hábito testar e registrar uma série de características dos vinhos importados, incluindo o teor alcoólico.
Utilizando o "índice de calor" (variável de temperatura durante o período de crescimento das plantas), os economistas encontraram um coeficiente de 0,05, o que sugere que o aumento de 1°F na média da temperatura na época de crescimento das plantas provocaria um aumento de 0,05 na média de conteúdo alcoólico dos vinhos. Assim, a temperatura teria que subir 20°F, ou 11°C, para um aumento de 1 pp na quantidade média de álcool. Acontece que, na média, o percentual alcoólico dos vinhos aumentou em 0.07 pp/ano ou 1.12pp nos últimos 18 anos.
Os países com maior teor real de álcool são do Novo Mundo: Estados Unidos, Argentina, Austrália e Chile (13,88, 13,79, 13,75 e 13,71% respectivamente). A média para os novatos foi de 13.65 enquanto a média européia foi de 13.01, estimulada consideravelmente pela Espanha com seus 13.43%. Além disso, notou-se que o "índice de calor" não aumentou muito na maioria dos lugares analisados, especialmente nos países onde o percentual alcoólico disparou.
Como você deve ter percebido, me referi a "teor real de álcool". Sim, meus caros, o rótulo nem sempre diz a verdade e geralmente subestima o conteúdo alcoólico verdadeiro por cerca de 0.39pp na Europa e cerca de 0.45pp no Novo Mundo. Essa é a segunda parte do estudo.
Esta imprecisão dos rótulos é mais fácil nos EUA do que na Europa em razão da legislação americana que permite uma variação de 1.5% para mais ou para menos em vinhos com teor alcoólico de até 14% (para vinhos mais fortes, ainda se pode variar em 1pp a informação do rótulo). Na Europa, o teor informado não pode variar mais que 0.5% do nível real. Os países com rótulos mais imprecisos são Chile, Argentina, Espanha e EUA.
No Brasil, a legislação permite que os vinhos finos tenham de 8,6% a 14% de teor alcoólico por volume, sem qualquer regulamentação sobre tolerância a eventuais variações na informação do rótulo. Entendo que se variar 0,1pp, o rótulo poderá ser considerado falso e a ação sujeita a penas. (O mais interessante é que vinho com teor alcoólico acima de 14% é classificado pela lei nacional como licoroso, simples assim, o que se faria com alguns Châteauneuf-du-Pape 2010 que atingiram mais de 16%??)
Na média, os rótulos demonstram uma diferença de 0,13pp no volume de álcool real. 57.1% das amostras subestimaram o volume de álcool por volume em 0,42pp. Por outro lado, 32,2% das amostras apresentaram erro para mais em 0,32pp. Conclui-se, assim, que existe uma tendência para que o teor alcoólico dos vinhos convirja para 13% nos tintos do Velho Mundo, 12,5% nos seus brancos, 13,6% nos tintos do Novo Mundo e 13,1% em seus brancos.
Os erros substanciais encontrados não foram cometidos inconscientemente. Alguns produtores admitiram fazer alterações nos rótulos, dentro dos limites da lei, porque seria mais vantajoso na divulgação do vinho já que os rótulos trariam a informação que o consumidor espera encontrar em um vinho de alta qualidade.
Tendo em vista os altos custos envolvidos na variação da quantidade de álcool sem alteração das demais características do vinho, percebe-se que os consumidores estão dispostos a pagar um prêmio pela maciez resultante, mas não pelo seu teor alcóolico. Assim, é lucrativo para a vinícola entregar ao consumidor as características de sabor desejadas e as informações de rótulo esperadas. É o marketing, estúpido.
Há muito o que questionar nesse estudo, disponível, em inglês, no site da Associação aqui. Os resultados são frágeis, condicionados pela base de dados utilizada e pela metodologia escolhida. Econometria. A pesquisa poderia refletir apenas a evolução do padrão de compras/gosto dos canadenses. De qualquer forma, sabemos que os vinhos estão mesmo mais alcóolicos e não sei se é relevante saber se estou bebendo um vinho com 13% de álcool/volume ou 13,42%. É muito preciosismo, muita química para um momento de poesia.
Os vinhos estão mais fortes porque gostamos assim. Ninguém quer esperar 20 anos para abrir uma garrafa e encontrar um vinho com taninos domados. Gostamos assim porque Parker mandou ou Parker deu uma boa nota porque gostamos assim? Who cares. Talvez ainda valha a pena refletir sobre o império das notas que tem feito alguns produtores nos tratar, consumidores, como crianças mimadas... Mas toda discussão sobre vinhos se não for para falar de belas histórias, de luta, de resistência, de solidariedade, de transformação, de romance, é pura bobagem.
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
Barris de carvalho: dádiva ou maldição?
Por André Favero
Em recente viagem a Washington/EUA, aproveitei para provar alguns vinhos da "domestic production", como os americanos chamam os vinhos nacionais. E como as adegas e importadoras mesclam grande quantidade de vinhos nacionais e estrangeiros, nada melhor do que ir ao supermercado local para saber quais são os produtos que mandam no pedaço.
E é exatamente como "domestic products" que as gôndolas dos grandes supermercados americanos destacam os vinhos nacionais, e dão muito espaço para diversos produtores. Depois de uma pesquisa rápida de rótulo a rótulo, sem conhecer nada do mercado americano de vinhos, decidi pela conhecida região do Napa Valley. Escolhi um Merlot, que estou bem acostumado a provar - muitos dos melhores brasileiros têm esse corte, além é claro dos clássicos Bordeaux - e que facilita a comparação. E obviamente a célebre rejeição ao Merlot no filme Sideways não influenciou minha escolha. Resultado: "Markham Vineyards, Merlot 2007 - Napa Valley". De volta ao Brasil fiquei sabendo que 2007 foi uma grande safra no Napa Valley e que o tal vinho foi listado como um dos 10 melhores de 2011 por alguns especialistas (veja aqui) e recebeu 90 pontos pela Wine Spectator. Em 2008, foram 91 pontos. Sim, um chutaço, sem vergonha nenhuma de dizer. Às vezes dá certo!
Ao degustar o vinho, algumas notas herbáceas e de especiarias, e uma presença em boca não tão consistente, mas agradável, típica do Merlot. No entanto, chamou a atenção o aroma de baunilha e caramelo, desde a abertura da garrafa e evoluindo rapidamente, a ponto de inibir as outras características da uva. Não era algo espontâneo; parecia enjoativo, agressivo até. Lembrei na hora daquele indignado velhinho do documentário Mondovino (altamente recomendável, disponível nas maioria das locadoras). Aquele é o Sr. Hubert de Montille, proprietário do Domaine de Montille, que criticou acintosamente a indústria vitivinífera mundial - sim, o coroa disparou pra todo lado!!! - por ter se rendido ao gosto e às valiosas avaliações do Robert Parker. É de conhecimento público que as influentes notas de Parker carregam um gosto todo especial para os aromas e sabores advindos dos barris de carvalho. Tem baunilha, tem tabaco, tem caramelo, opa, o mercado vai aceitar mais facilmente. E é legal dizer que o vinho tem “influência do carvalho”, não é?! Rsrs
Só que dessa forma, os críticos de Parker alegam que a produção de vinho está se tornando homogênea demais, a ponto de perder a tipicidade regional, tanto nas características das uvas utilizadas quanto nos métodos de vinificação. Sobre a influência de Parker no mundo do vinho, nos preços e no perfil dos vinhos produzidos, parece bem interessante o livro "The Emperor of Wine: The Rise of Robert M. Parker Jr. and the Reign of American Taste". O livro é de 2005. Ainda não consegui ler, mas parece interessante.
Ainda mais porque sim, o barril de carvalho exerce um papel importante na oxigenação do vinho e também na sua complexidade. Essa complexidade vem das variáveis tempo de guarda, barril novo, barril usado, carvalho francês, carvalho americano, carvalho eslovênio. Tem também os aromas do próprio carvalho, como a baunilha, o alcaçuz, a canela, e os aromas provenientes da tostada na parede interna do barril, como o chocolate, o caramelo, o café. Claro que tudo isso, em proporção moderada, dá um toque especial ao vinho. Por essas razões existe a polêmica em torno das avaliações de Parker, que também emite suas poderosas opiniões na revista bimestral “Wine Advocate”.
Mas será mesmo que o excesso do barril de carvalho, para atender aos desígnios de Parker e inúmeros outros seguidores – já formadores de opinião aos leigos desprotegidos – está arrancando a essência do vinho, que é justamente o terroir, as cepas típicas, a tradição dos métodos seculares passados de geração a geração?
Já se fala que o reino de Parker está em declínio, e que sua influência já é bem menor, principalmente no Velho Mundo. Mas não se pode desprezar o impacto que ele tem no mundo do vinho, e que ajudou de certa forma o vinho americano a conquistar seu espaço nos corações, mentes e papilas de enófilos e enólogos do mundo inteiro. Imagino, por exemplo, a voracidade com que a classe média-alta chinesa está consumindo as notas Parker. Bem, isso vale também para a classe média-alta brasileira também...
Polêmicas à parte, falo por mim: acredito que aquele não é o gosto do típico vinho americano. Se for, não gostei. E é um vinho que certamente agrada ao paladar de muitos. Equilibrado, macio, com o trinômio acidez-álcool-tanicidade bem harmonizado. Mas sem alma, cinza, monocórdico, um verdadeiro quase.
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
Apresentando o Pizzato Merlot
É fato, os brasileiros conhecem muito pouco os vinhos nacionais. Infelizmente. E por brasileiros não me refiro apenas à grande maioria que bebe menos de 1,8 litro por ano, estou falando também daqueles que gostam da bebida e têm o hábito de consumi-la frequentemente.
Percebo que, até para algumas pessoas que se dedicam mais ao vinho, o Brasil se destaca apenas por seus espumantes. Outras ainda acreditam que não existe vinho tinto bom no Brasil. Mas, por incrível que pareça, a maioria dos vinhos brasileiros premiados no exterior é tinto. Os estrangeiros não nutrem a mesma admiração por nossos espumantes. Em termos de custo-benefício, é verdade que o vinho brasileiro perde, mas vejo pessoas pagando o mesmo valor que poderiam pagar em um bom brasileiro por um importado meia boca.
Com isso em mente, esse final de semana, em São Paulo, fomos à tradicional Lellis Trattoria para o almoço de domingo. E, na busca por um tinto mais leve, me deparei com uns chilenos caros, uns italianos mais ou menos e uma infinidade de tintos encorpados. Hora de divulgar o Brasil para uma mesa que já tinha "ouvido falar" apenas de Don Laurindo: escolhi um Pizzato Reserva Merlot.
Safra 2007. Um vinho fácil de beber, nariz de frutas e especiarias e notas de madeira, equilibrado e delicado. 5 meses apenas em barrica de carvalho americano. R$ 74,00 no restaurante, média de R$ 35,00 no varejo. Melhor que muito carmenère chileno que já tomei por aí... Agradou a todos e valeu a divulgação. Missão cumprida!
Percebo que, até para algumas pessoas que se dedicam mais ao vinho, o Brasil se destaca apenas por seus espumantes. Outras ainda acreditam que não existe vinho tinto bom no Brasil. Mas, por incrível que pareça, a maioria dos vinhos brasileiros premiados no exterior é tinto. Os estrangeiros não nutrem a mesma admiração por nossos espumantes. Em termos de custo-benefício, é verdade que o vinho brasileiro perde, mas vejo pessoas pagando o mesmo valor que poderiam pagar em um bom brasileiro por um importado meia boca.
Com isso em mente, esse final de semana, em São Paulo, fomos à tradicional Lellis Trattoria para o almoço de domingo. E, na busca por um tinto mais leve, me deparei com uns chilenos caros, uns italianos mais ou menos e uma infinidade de tintos encorpados. Hora de divulgar o Brasil para uma mesa que já tinha "ouvido falar" apenas de Don Laurindo: escolhi um Pizzato Reserva Merlot.
Safra 2007. Um vinho fácil de beber, nariz de frutas e especiarias e notas de madeira, equilibrado e delicado. 5 meses apenas em barrica de carvalho americano. R$ 74,00 no restaurante, média de R$ 35,00 no varejo. Melhor que muito carmenère chileno que já tomei por aí... Agradou a todos e valeu a divulgação. Missão cumprida!
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
Can't live without: Aplicativos de Vinhos para seu Iphone
Se você mergulhou no mundo tecnológico de cabeça, adicionou um I a toda sua vida e já se esqueceu como era usar uma caneta ao invés do dedo, este post é para você. Havia prometido no início do blog que em algum momento falaria de aplicativos para Iphone e eis que é chegado o momento!
Como não tenho muita paciência para ficar horas inserindo dados e gerenciando adegas virtuais, meus aplicativos são simples, fáceis de usar, rápidos e eficientes. Alguns dos meus escolhidos:
1. Wine Cellar
Perfeito na medida. Controlo o que tenho na adega de forma simples, rápida e divertida. O som da abertura de portas da adega é tudo! Há vários tipos de aplicativos para gerenciamento de adegas, mas este funciona melhor para mim. E é tão bonitinho!
O aplicativo disponibiliza estatísticas sobre quantas garrafas estão disponíveis, quanto vc já bebeu, quanto gastou... Depois de beber, você pode enviar a garrafa para a garagem se quiser comprá-la novamente (aí você dá uma nota para seu vinho, entre 1 e 5 estrelas) ou para a lixeira. Há também a wishlist para você incluir aqueles vinhos que quer comprar um dia, quem sabe...
Recomendo!
2. Wine Notes
Ótimo para quem tem blog! Ou apenas quer se lembrar de um vinho que tomou futuramente. Você insere as informações sobre o vinho que está bebendo: nome, produtor, região, notas de degustação (tem até a opção para selecionar a cor do vinho), onde está bebendo, com quem... Bem legal, mas às vezes leva um tempo para preencher tudo e pode parecer desagradável se estiver com amigos em um restaurante...
3. Wine Spectator Vintage Chart
Tabela com informações sobre as safras das principais regiões produtoras: a nota, a informação sobre beber ou esperar e alguns detalhes sobre a safra em si. Muito útil, uso sempre como guia de compras e, às vezes, para escolher vinhos em restaurantes. Recomendo!
4. Wine Stein
Seu sommelier particular: um aplicativo de harmonização. Claro, só vale como uma rápida referência, afinal a harmonização pode ser bem mais complexa do que um aplicativo poderia supor. De qualquer forma, é, para mim, o mais completo pois você escolhe todos os ingredientes do prato e o resultado é extenso, te dando mais opções de vinhos.
Você também pode escolher o prato para um determinado vinho. E agora, a novidade é escolher vinhos para os pratos do menu de algum restaurante que utilize o aplicativo (ainda não utilizei e não sei se há restaurantes brasileiros cadastrados)
5. Hello Vino
Mais um aplicativo de harmonização. Mais simples que o anterior, mas ajuda em uma emergência ou quando você precisa de inspiração...
6. Wine Pairing
Também sobre harmonização. Acho o banco de dados bem mais restrito que os outros, ainda mais americanizado que os outros, mas também é boa fonte de referência.
7. Cor.kz
Um aplicativo bem completo, como se fosse o Cellar e o Wine Notes em um só e ainda mais turbinados. As estatísticas, por exemplo, são bem mais detalhadas que as do Cellar. Você pode levantar dados até por tipo de vinho.
Tentei usar uma vez, mas dava muito trabalho inserir tantas informações (leia-se: levava muito tempo), aí desisti. Acho que era muito avançado para mim!! Vou tentar de novo...
That's all, folks, (por enquanto)!
Como não tenho muita paciência para ficar horas inserindo dados e gerenciando adegas virtuais, meus aplicativos são simples, fáceis de usar, rápidos e eficientes. Alguns dos meus escolhidos:
1. Wine Cellar
Perfeito na medida. Controlo o que tenho na adega de forma simples, rápida e divertida. O som da abertura de portas da adega é tudo! Há vários tipos de aplicativos para gerenciamento de adegas, mas este funciona melhor para mim. E é tão bonitinho!
O aplicativo disponibiliza estatísticas sobre quantas garrafas estão disponíveis, quanto vc já bebeu, quanto gastou... Depois de beber, você pode enviar a garrafa para a garagem se quiser comprá-la novamente (aí você dá uma nota para seu vinho, entre 1 e 5 estrelas) ou para a lixeira. Há também a wishlist para você incluir aqueles vinhos que quer comprar um dia, quem sabe...
Recomendo!
![]() |
| Para montar sua adega, você escolhe o formato, cor e cápsula da garrafa e inclui uma foto do rótulo |
![]() |
| A ficha com informações do vinho |
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| A relação elencada por tipo de vinho |
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| As opções de garagem, wishlist e lixeira |
2. Wine Notes
Ótimo para quem tem blog! Ou apenas quer se lembrar de um vinho que tomou futuramente. Você insere as informações sobre o vinho que está bebendo: nome, produtor, região, notas de degustação (tem até a opção para selecionar a cor do vinho), onde está bebendo, com quem... Bem legal, mas às vezes leva um tempo para preencher tudo e pode parecer desagradável se estiver com amigos em um restaurante...
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| Adicionando o vinho |
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| Definindo a Região |
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| Inserindo Notas (dá para criar as suas também) |
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| Escaneando o Código de Barras (ainda não descobri o que fazer com isso depois) |
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| Ao final, você pode tuitar seus amigos e se tornar oficialmente um enochato! |
3. Wine Spectator Vintage Chart
Tabela com informações sobre as safras das principais regiões produtoras: a nota, a informação sobre beber ou esperar e alguns detalhes sobre a safra em si. Muito útil, uso sempre como guia de compras e, às vezes, para escolher vinhos em restaurantes. Recomendo!
4. Wine Stein
Seu sommelier particular: um aplicativo de harmonização. Claro, só vale como uma rápida referência, afinal a harmonização pode ser bem mais complexa do que um aplicativo poderia supor. De qualquer forma, é, para mim, o mais completo pois você escolhe todos os ingredientes do prato e o resultado é extenso, te dando mais opções de vinhos.
Você também pode escolher o prato para um determinado vinho. E agora, a novidade é escolher vinhos para os pratos do menu de algum restaurante que utilize o aplicativo (ainda não utilizei e não sei se há restaurantes brasileiros cadastrados)
5. Hello Vino
Mais um aplicativo de harmonização. Mais simples que o anterior, mas ajuda em uma emergência ou quando você precisa de inspiração...
6. Wine Pairing
Também sobre harmonização. Acho o banco de dados bem mais restrito que os outros, ainda mais americanizado que os outros, mas também é boa fonte de referência.
7. Cor.kz
Um aplicativo bem completo, como se fosse o Cellar e o Wine Notes em um só e ainda mais turbinados. As estatísticas, por exemplo, são bem mais detalhadas que as do Cellar. Você pode levantar dados até por tipo de vinho.
Tentei usar uma vez, mas dava muito trabalho inserir tantas informações (leia-se: levava muito tempo), aí desisti. Acho que era muito avançado para mim!! Vou tentar de novo...
That's all, folks, (por enquanto)!
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Sobre ontem à noite...
Tentei resistir ao máximo, mas não consegui. Ontem à noite, aquele friozinho, aquela chuvinha, me entreguei ao Joaquim...
Devo confessar que tinha alguns preconceitos com os vinhos da Villa Francioni. Preconceitos não, melhor, tinha mesmo era pouca coragem para pagar por eles. E, como a primeira impressão é a que fica, fiquei um pouco assustada quando, em Florianópolis, os preços variavam entre R$ 90,00 e mais de R$ 200,00. Cheguei a pensar que jamais provaria esses vinhos, não nessa vida.
Tudo começou a mudar quando, em setembro, o Rogério (aquele do texto Sexo & Vinho) e a Gina trouxeram uma garrafa de um rosé lindo e delicioso para um jantar. Achei bem bom, mas como já era tarde da noite e passadas algumas outras garrafas, não parei para prestar muita atenção.
Mês passado, durante as compras do Natal, um vendedor quis me convencer a levar esse mesmo rosé com sua garrafa diferenciada. Na semana seguinte, a diferente estava lá de novo, na adega do Anacleto em Santa Catarina. Começou a parecer uma conspiração do cosmos...
A conspiração se confirmou quando o Anacleto nos presenteou com uma garrafa do Joaquim Cabernet-Merlot 2006. Ontem, antes de ir para casa, aquela garrafa do rosé apareceu acenando, de novo, exposta em uma mesinha de degustação da Vintage Vinhos. Era o sinal que faltava. E, quando o universo conspira, não podemos ignorar: noite de testar a Villa Francioni, noite do Joaquim.
E das trevas fez-se luz. E vi que era bom! E lá se foi uma, e se foram duas, e resisti bravamente à terceira taça. Afinal, o universo dá um jeito, mas temos que fazer nossa parte!
E foi assim que revi meus conceitos e destruí algumas barreiras. O vinho não é bom não, é excelente! Nariz intenso de frutas vermelhas, vegetal, chocolate e menta. Juro que encontrei isso tudo (dica: decante antes!). Corpo médio, harmônico, taninos macios. Harmonizei com sopa de legumes e carne (sim, é inverno no Centro-Oeste) e se saiu bem (apenas cuide para que a sopa não esteja quente demais e anestesie suas papilas gustativas, atrapalhando a degustação).
Quanto às barreiras do preço, fiquei supresa em ver que esse vinho não custa mais de R$ 90,00 e sim cerca de R$ 60,00, conforme encontrei pela web. Percebi, ainda, que os preços divulgados no site da Villa Francioni não são os praticados no varejo em geral e, pelos valores de lá, eu já teria comprado uma garrafa há muito tempo! No site da vinícola, este vinho está R$ 39,00 e facilmente pagaria mais por ele, até mesmo os 60 reais.
Mais uma comparação: o tal rosé que me persegue está R$ 47,00 no site da vinícola e na Vintage, aqui em Brasília, me ofereceram por cerca de R$ 60,00 (acho que o mesmo preço que a Gina pagou em setembro).
Foi um prazer imenso conhecer melhor o Joaquim! Certamente vou querer conhecer o resto da família.
Devo confessar que tinha alguns preconceitos com os vinhos da Villa Francioni. Preconceitos não, melhor, tinha mesmo era pouca coragem para pagar por eles. E, como a primeira impressão é a que fica, fiquei um pouco assustada quando, em Florianópolis, os preços variavam entre R$ 90,00 e mais de R$ 200,00. Cheguei a pensar que jamais provaria esses vinhos, não nessa vida.
Tudo começou a mudar quando, em setembro, o Rogério (aquele do texto Sexo & Vinho) e a Gina trouxeram uma garrafa de um rosé lindo e delicioso para um jantar. Achei bem bom, mas como já era tarde da noite e passadas algumas outras garrafas, não parei para prestar muita atenção.
Mês passado, durante as compras do Natal, um vendedor quis me convencer a levar esse mesmo rosé com sua garrafa diferenciada. Na semana seguinte, a diferente estava lá de novo, na adega do Anacleto em Santa Catarina. Começou a parecer uma conspiração do cosmos...
A conspiração se confirmou quando o Anacleto nos presenteou com uma garrafa do Joaquim Cabernet-Merlot 2006. Ontem, antes de ir para casa, aquela garrafa do rosé apareceu acenando, de novo, exposta em uma mesinha de degustação da Vintage Vinhos. Era o sinal que faltava. E, quando o universo conspira, não podemos ignorar: noite de testar a Villa Francioni, noite do Joaquim.
E das trevas fez-se luz. E vi que era bom! E lá se foi uma, e se foram duas, e resisti bravamente à terceira taça. Afinal, o universo dá um jeito, mas temos que fazer nossa parte!
E foi assim que revi meus conceitos e destruí algumas barreiras. O vinho não é bom não, é excelente! Nariz intenso de frutas vermelhas, vegetal, chocolate e menta. Juro que encontrei isso tudo (dica: decante antes!). Corpo médio, harmônico, taninos macios. Harmonizei com sopa de legumes e carne (sim, é inverno no Centro-Oeste) e se saiu bem (apenas cuide para que a sopa não esteja quente demais e anestesie suas papilas gustativas, atrapalhando a degustação).
| Joaquim 2006 |
Quanto às barreiras do preço, fiquei supresa em ver que esse vinho não custa mais de R$ 90,00 e sim cerca de R$ 60,00, conforme encontrei pela web. Percebi, ainda, que os preços divulgados no site da Villa Francioni não são os praticados no varejo em geral e, pelos valores de lá, eu já teria comprado uma garrafa há muito tempo! No site da vinícola, este vinho está R$ 39,00 e facilmente pagaria mais por ele, até mesmo os 60 reais.
Mais uma comparação: o tal rosé que me persegue está R$ 47,00 no site da vinícola e na Vintage, aqui em Brasília, me ofereceram por cerca de R$ 60,00 (acho que o mesmo preço que a Gina pagou em setembro).
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| O tal rosé |
Foi um prazer imenso conhecer melhor o Joaquim! Certamente vou querer conhecer o resto da família.
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Leitura de Férias: Vinhos
Para você que está curtindo suas merecidas férias ou, como eu, apenas curtindo chuva em Brasília, preparei uma pequena seleção de livros para incrementar seu momento. Afinal, um um bom livro vai bem na praia, na montanha, no inverno de Brasília ou mesmo com apenas uma taça de vinho!
E, seguindo as regras básicas de harmonização, nesse último caso, se o livro falar sobre a bebida, a combinação será perfeita!
1. Champanhe, de Don & Petie Kladstrup
"Como o mais sofisticado dos vinhos venceu a guerra e os tempos difíceis"
Meu primeiro livro sobre o mundo dos vinhos, rendeu uma viagem a Champagne, na França, para verificar in loco suas histórias deliciosas.
2. Vinho & Guerra, de Don & Petie Kladstrup
"Os franceses, os nazistas e a batalha pelo maior tesouro da França"
Não preciso dizer mais nada.
3. A experiência do Gosto
"O mundo do vinho segundo Jorge Lucki"
64 artigos de Jorge Lucki publicados no jornal Valor Econômico. Uma delícia de ler e uma constante fonte de referência.
4. Mil Dias na Toscana, de Marlena de Blasi
"Memórias de um pequeno vilarejo repleto de comida, romance e, acima de tudo, vida"
Delicioso de ler, o vinho aparece, mas, como não poderia deixar de ser na Itália, acompanhando refeições maravilhosas e intermináveis.
5. As Mulheres Francesas Não Engordam, de Mireille Guiliano
"Uma leitura divertida, que mostra como comer com prazer e sem culpa!"
Há um capítulo especial (pequeno) sobre vinhos, o mínimo já que a autora é presidente e CEO da Clicquot, Inc., em Nova York, e diretora da Champagne Veuve Clicquot, em Reims. Um livro bem chatinho, cheio de preconceitos e hipocrisia, mas deixo aqui caso você esteja sem opções.
Minha próxima leitura:
Bebo, logo existo, de Roger Scruton
"Guia de um filósofo para o vinho"
Ganhei de aniversário da Naiara e do Elizeu, "um antídoto bem-humorado para a pretensiosa conversa oca que hoje se escreve sobre o vinho e uma profunda apologia à bebida sobre a qual a civilização foi fundada", can't wait!!
Já me indicaram e ainda não li:
O Gosto do Vinho, de Emile Peynaud
Se você não está de férias e é um nerd (ou um geek para acompanhar a evolução e evitar conflitos de geração), minhas sugestões de leitura não gostosas mas altamente informativas:
1. The World Atlas of Wine, de Hugh Johnson e Jancis Robinson
Para você que é autodidata, um curso completo e excelente.
2. The Wines of Burgundy, de Clive Coates
Um curso sobre a complicada região da Borgonha.
3. The Finest Wines of Tuscany and Central Italy, de Nicolas Belfrage
Um guia para os melhores vinhos e seus produtores.
4. Hugh Johnson's Pocket Wine Book 2012
Um guia para você ter em mãos sempre, especialmente na hora de escolher seu próximo vinho. Excelente para te acompanhar em viagens internacionais (não tem muita coisa sobre o Brasil).
E, seguindo as regras básicas de harmonização, nesse último caso, se o livro falar sobre a bebida, a combinação será perfeita!
1. Champanhe, de Don & Petie Kladstrup
"Como o mais sofisticado dos vinhos venceu a guerra e os tempos difíceis"
Meu primeiro livro sobre o mundo dos vinhos, rendeu uma viagem a Champagne, na França, para verificar in loco suas histórias deliciosas.
2. Vinho & Guerra, de Don & Petie Kladstrup
"Os franceses, os nazistas e a batalha pelo maior tesouro da França"
Não preciso dizer mais nada.
3. A experiência do Gosto
"O mundo do vinho segundo Jorge Lucki"
64 artigos de Jorge Lucki publicados no jornal Valor Econômico. Uma delícia de ler e uma constante fonte de referência.
4. Mil Dias na Toscana, de Marlena de Blasi
"Memórias de um pequeno vilarejo repleto de comida, romance e, acima de tudo, vida"
Delicioso de ler, o vinho aparece, mas, como não poderia deixar de ser na Itália, acompanhando refeições maravilhosas e intermináveis.
5. As Mulheres Francesas Não Engordam, de Mireille Guiliano
"Uma leitura divertida, que mostra como comer com prazer e sem culpa!"
Há um capítulo especial (pequeno) sobre vinhos, o mínimo já que a autora é presidente e CEO da Clicquot, Inc., em Nova York, e diretora da Champagne Veuve Clicquot, em Reims. Um livro bem chatinho, cheio de preconceitos e hipocrisia, mas deixo aqui caso você esteja sem opções.
Minha próxima leitura:
Bebo, logo existo, de Roger Scruton
"Guia de um filósofo para o vinho"
Ganhei de aniversário da Naiara e do Elizeu, "um antídoto bem-humorado para a pretensiosa conversa oca que hoje se escreve sobre o vinho e uma profunda apologia à bebida sobre a qual a civilização foi fundada", can't wait!!
Já me indicaram e ainda não li:
O Gosto do Vinho, de Emile Peynaud
Se você não está de férias e é um nerd (ou um geek para acompanhar a evolução e evitar conflitos de geração), minhas sugestões de leitura não gostosas mas altamente informativas:
1. The World Atlas of Wine, de Hugh Johnson e Jancis Robinson
Para você que é autodidata, um curso completo e excelente.
2. The Wines of Burgundy, de Clive Coates
Um curso sobre a complicada região da Borgonha.
3. The Finest Wines of Tuscany and Central Italy, de Nicolas Belfrage
Um guia para os melhores vinhos e seus produtores.
4. Hugh Johnson's Pocket Wine Book 2012
Um guia para você ter em mãos sempre, especialmente na hora de escolher seu próximo vinho. Excelente para te acompanhar em viagens internacionais (não tem muita coisa sobre o Brasil).
domingo, 8 de janeiro de 2012
Duelo de harmonização: Pêra Manca branco x Chablis Grand Cru Vaudésir
Na sexta-feira abri um Pêra Manca branco 2009 que ganhei de D. Mariluce, minha mãe, como lembrança de sua viagem a Portugal (um parênteses para contar que lá ela pagou 14 euros). Sozinha em casa, harmonizou bem com minha indignação assistindo Lua Nova da saga Crepúsculo (é sério que esses filmes são recordes de bilheteria? é sério que a garota prefere o vampiro ao lobisomem??).
Enfim, o vinho é excelente: amarelo dourado, sabe cor de dia de sol na praia? Aromas de amêndoas, flores, mel, manteiga, notas minerais. Em boca, confirmou quase tudo: untuoso, amendoado, redondo, enche a boca e desce macio. Final longo, persistente e amanteigado. Maravilhoso!
Esse vinho me lembrou muito alguns bons Borgonhas brancos, apesar de ser um corte de Antão Vaz e Arinto. Será que estou falando uma heresia? Oh, well...
No sábado, decidi praticar meus dotes culinários e preparei um risotto de grana padano (0% lactose, a quem interessar possa) com balsâmico de mel e gengibre. O Pêra Manca já havia perdido um pouco de seus aromas, mas continuava potente. Decidimos abrir também o Domaine des Malandes Chablis Grand Cru Vaudésir, também 2009.
O Chablis é amarelo palha com aromas minerais, frutado, toques de madeira e de fundo de mar. Fresco, leve, exótico, delicioso.
E, como era de se esperar, arrasou com meu português na harmonização. Faltou acidez ao Pêra Manca para enfrentar o gengibre e o mel e também para amenizar a gordura do queijo. Refeição à parte, são vinhos excelentes e bem diferentes entre si. Não sei dizer qual me agradou mais, mas, para as noites de verão, ficaria com o Chablis.
Devo confessar que nenhum harmonizou bem com minha carreira no Guitar Hero... Fica aqui minha mensagem sobre os prejuízos causados pela terceira taça!
Enfim, o vinho é excelente: amarelo dourado, sabe cor de dia de sol na praia? Aromas de amêndoas, flores, mel, manteiga, notas minerais. Em boca, confirmou quase tudo: untuoso, amendoado, redondo, enche a boca e desce macio. Final longo, persistente e amanteigado. Maravilhoso!
| Pêra Manca Branco 2009 |
Esse vinho me lembrou muito alguns bons Borgonhas brancos, apesar de ser um corte de Antão Vaz e Arinto. Será que estou falando uma heresia? Oh, well...
No sábado, decidi praticar meus dotes culinários e preparei um risotto de grana padano (0% lactose, a quem interessar possa) com balsâmico de mel e gengibre. O Pêra Manca já havia perdido um pouco de seus aromas, mas continuava potente. Decidimos abrir também o Domaine des Malandes Chablis Grand Cru Vaudésir, também 2009.
O Chablis é amarelo palha com aromas minerais, frutado, toques de madeira e de fundo de mar. Fresco, leve, exótico, delicioso.
| Chablis Vaudésir 2009 |
E, como era de se esperar, arrasou com meu português na harmonização. Faltou acidez ao Pêra Manca para enfrentar o gengibre e o mel e também para amenizar a gordura do queijo. Refeição à parte, são vinhos excelentes e bem diferentes entre si. Não sei dizer qual me agradou mais, mas, para as noites de verão, ficaria com o Chablis.
| Risoto de grana padano com balsâmico de mel e gengibre |
Devo confessar que nenhum harmonizou bem com minha carreira no Guitar Hero... Fica aqui minha mensagem sobre os prejuízos causados pela terceira taça!
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